GM, Relatorio Gazeta Mercantil, p.3
27 de Mai de 2004
VCP fornece mudas para processar mais eucalipto
AVotorantim Celulose e Papel (VCP) adotou um programa batizado de "Fomento contratado" ou "Compra antecipada de madeira" para assegurar maior volume de eucalipto para o processo industrial. Pelo projeto, iniciado a partir de meados de 2003, a empresa fornece, além das mudas e assistência técnica, tradicionais nos programas de fomento, outros insumos e recursos financeiros para o agricultor formar as florestas.
O investimento é de cerca de R$ 1,8 mil por hectare e o objetivo é chegar a 1,5 mil hectares este ano, informou o gerente da área operacional de Jacareí (SP) e Sul da VCP, Arnaldo Salmeron. O valor gasto é devolvido em madeira, seis ou sete anos depois, quando as árvores são cortadas. "O valor em madeira é calculado no momento do plantio. O que o produtor obtiver além da quantidade previamente contratada é comprado pela cotação de mercado na ocasião da colheita", diz Salmeron. O programa foi implantado em um raio de 150 quilômetros ao redor das fábricas da VCP de Jacareí e Luiz Antônio, em São Paulo. De acordo com Salmeron, 5% do total plantado podem ser vendidos pelo produtor para as serrarias, cuja remuneração é melhor, mas também exige árvores mais velhas, com cerca de 21 anos.
No ano passado, o programa de fomento da empresa contou com 2,8 mil hectares - desses apenas 2 mil pelo sistema de contrato. A empresa doou 5,5 milhões de mudas.
O executivo da VCP diz que o objetivo é contar com pequenos proprietários rurais, que tenham ociosidade de terra e mão-de-obra, em regiões difíceis de solos pobres. A floresta recupera o solo e é uma forma de ocupar melhor a propriedade aumentando a rentabilidade do produtos.
A VCP vai gastar US$ 70,8 milhões (cerca de R$ 200 milhões) este ano para aumentar a produção de madeira. São recursos para comprar terras e maquinários e formar florestas, informa Salmeron. Em dólares, o valor é 30,87% maior do que os US$ 54,1 milhões (R$ 156,6 milhões) de 2003 e o objetivo é plantar 20 mil hectares, considerando área própria e arrendada. Atualmente, a empresa conta com um total de 178,6 mil hectares de área de florestas, dos quais 114 mil hectares plantados e o restante em áreas de preservação ambiental. Além disso, a empresa compra de terceiros 600 mil m³ de madeira por ano, uma média de 50 mil metros por mês, o que representa 15% do total de 4 milhões de m³ anuais de madeira usados na produção.
Entre os muitos investimentos para aumentar a produtividade, a VCP está testando desde o início deste ano um sistema de proteção para as mudas de eucalipto. A iniciativa foi trazida da Finlândia. O Colar Protetor de Mudas (CPM) é um disco de cerca de 400 milímetros de diâmetro e 40 milímetros de espessura com uma abertura central para a planta. Após o plantio e irrigação o colar é colocado em volta da planta com os objetivos de evitar que o mato atrapalhe o crescimento e de reter a umidade. Esse colar, presente em 40 hectares de florestas da VCP, é feito de papel reciclado e também biodegradável.
O setor de celulose e papel é o segundo mais importante para o grupo Votorantim, ficando atrás apenas dos negócios na área de cimento. No ano passado a VCP investiu R$ 487 milhões, sendo R$ 154 milhões em modernização do parque industrial.
GM, 27/05/2004, p. 3 (Relatório Gazeta Mercantil)
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