O Globo, Economia, p. 35
17 de Mar de 2013
Vazamentos da Petrobras cresceram 65% em 2012
Foram derramados 387 mil litros. Estimativa é que um terço dos acidentes tenha sido no transporte de combustíveis
Daniel Haidar
daniel.haidar@oglobo.com.br
RIO - A Petrobras anunciou ao mercado no começo do ano passado o lançamento do plano Vazamento Zero, uma meta para minimizar os impactos ambientais da exploração petrolífera decorrentes do derramamento de petróleo e derivados no mar e em terra. Mas, no primeiro ano da medida, ocorreu exatamente o contrário, mesmo com queda de 2% na produção de petróleo, para 2,1 milhões de barris de óleo e líquido de gás natural (LGN) por dia. No ano passado, cresceu em 65% o volume de vazamentos da Petrobras. Foram derramados 387 mil litros no meio ambiente em 2012.
Funcionários da companhia estimam que cerca de 33% desse volume foi derramado no transporte de combustíveis.
Procurada, a petrolífera responsabilizou o "imponderável" pela alta dos vazamentos.
"Observa-se, nos últimos dez anos, uma tendência de redução do volume anual vazado, em que pese o resultado de 2012 ter superado o de 2011, o que se explica pelo comportamento imponderável dessas ocorrências. Para 2013, a Petrobras continua trabalhando para evitar a ocorrência de vazamentos", diz a empresa.
Entre concorrentes de grande porte que já divulgaram a performance ambiental de 2012, a britânica BP produziu cerca de 2,05 milhões de barris de óleo e derramou 801 mil litros no meio ambiente. Mas, mesmo com um derramamento menor do que outras petrolíferas, o volume vazado pela Petrobras preocupa ambientalistas.
- Sabemos que a Petrobras tem dificuldade até para simular vazamentos. Esse aumento serve de alerta - disse Ricardo Baitelo, coordenador da campanha de energias renováveis do Greenpeace Brasil.
Carlos Minc, secretário estadual do Ambiente do Rio de Janeiro, concorda:
- O aumento alerta para a importância de investir mais em prevenção.
Para analistas, Ibama e ANP precisam ser mais atuantes
Professor critica uso de helicópteros de empresas para fiscalização
Ambientalistas e pesquisadores veem falta de proatividade nas ações de fiscalização da Agência Nacional do Petróleo (ANP) e do Ibama para prevenir derramamentos de óleo. Pelos contratos de concessão, cabe às empresas fornecer helicópteros, por exemplo, para inspeções de plataformas em alto-mar.
- É estranho ANP e Ibama não terem um único helicóptero. Não é ético servidores utilizarem ferramentas das empresas que vão fiscalizar - critica o professor Francisco de Assis Esteves, diretor do núcleo de pesquisas ecológicas de Macaé da UFRJ.
Raphael Moura, superintendente de segurança operacional da ANP, não vê problemas nisso:
- Ter helicópteros não traz aumento significativo nas atividades. Nas hipóteses em que sentirmos necessidade de fiscalização surpresa ou urgente, temos a Marinha. Mas isso é exceção e desde 2002 só fizemos duas vezes - diz.
Por lei, as empresas são obrigadas a notificar ANP, Ibama e Marinha em qualquer evento de poluição ambiental. Moura diz que a fiscalização não é prejudicada no caso de omissão das empresas, porque a Marinha faz patrulhamento rotineiro da produção em alto mar, com o uso de navios e sobrevoo de aeronaves. Outro recurso para monitoramento à revelia das empresas é a observação por satélite, diz o superintendente.
Só que as ações de fiscalização do governo não são suficientes, dizem especialistas. Para Esteves, da UFRJ, a fiscalização falha especialmente nas atividades da indústria petrolífera em terra.
-A fiscalização não deveria depender tanto de denúncia da empresa. Tem que ser mais proativa - defende o professor da UFRJ.
Menos vazamentos no mar
Embora a Petrobras tenha derramado 387 mil litros no meio ambiente em 2012, as estatísticas de segurança operacional da ANP sugerem que a maior parte desse volume não ocorreu na exploração ou produção de campos de petróleo.
Segundo estimativa preliminar da ANP, cerca de 18 mil litros de petróleo foram derramados pela indústria brasileira durante a exploração e produção. Representa uma queda de 98% frente aos 608 mil litros derramados em atividade exploratória em 2011, ano em que o acidente do campo de Frade, da Chevron, respondeu por 95% do volume derramado. Essa conta não engloba derramamentos em refinarias ou na distribuição por terra de combustíveis, nem incidentes fora do país. (Daniel Haidar)
O Globo, 17/03/2013, Economia, p. 35
http://oglobo.globo.com/economia/vazamentos-da-petrobras-cresceram-65-e…
http://oglobo.globo.com/economia/para-analistas-ibama-anp-precisam-ser-…
As notícias aqui publicadas são pesquisadas diariamente em diferentes fontes e transcritas tal qual apresentadas em seu canal de origem. O Instituto Socioambiental não se responsabiliza pelas opiniões ou erros publicados nestes textos. Caso você encontre alguma inconsistência nas notícias, por favor, entre em contato diretamente com a fonte.