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Vazamento ocorreu por erro técnico, diz ANP

OESP, Vida, p. A22
18 de Nov de 2011

Vazamento ocorreu por erro técnico, diz ANP
Agência rechaça falha geológica alegada pela Chevron e prevê multas pesadas

Irany Tereza e Clarissa Thomé, Rio de Janeiro

Um vazamento na extremidade do revestimento (sapata) de um dos poços perfurados pela Chevron, na Bacia de Campos, permitiu que o óleo escapasse, afirmou o diretor-geral da Agência Nacional do Petróleo, Haroldo Lima.
Isso significa que o vazamento ocorreu provavelmente por erro de operação do poço e não por falha natural alheia à responsabilidade da empresa. Lima afirma que serão aplicadas "multas pesadas" pelo acidente, mas os valores só serão definidos depois de controlado o vazamento.
Lima diz que parte do óleo extraído da jazida escapou por esse "furo" na sapata do poço, atravessou uma falha geológica e desembocou no assoalho oceânico. "A prioridade é controlar o vazamento. O processo de cementação do poço será feito em quatro etapas. A primeira delas, concluída na quarta-feira, foi um sucesso." A Chevron afirmou que não concluiu a apuração sobre as causas do vazamento e, por isso, não se manifestou sobre as declarações de Lima.
O chefe da Delegacia de Meio Ambiente e Patrimônio Histórico da Polícia Federal, Fábio Scliar, que abriu inquérito para investigar o episódio, diz que vai intimar diretores da Chevron para esclarecer "inconsistências" nas informações prestadas.
"Até agora, a única fonte é a própria empresa, que já deu várias informações desencontradas. A falta de transparência dos órgãos oficiais é um absurdo. É o fim do mundo o Ministério do Meio Ambiente não se pronunciar para dar uma satisfação à sociedade", reclama Leandra Gonçalves, coordenadora da campanha de oceanos do Greenpeace.
Em nota, a ANP informa que "imagens submarinas aparentemente indicam a existência de um fluxo residual de vazamento. A mancha de óleo continua se afastando do litoral e se dispersando, como é desejado".
Fábio Scliar, da PF, espera o laudo pericial encomendado a um oceanógrafo para intimar diretores da Chevron. Ele sobrevoou a região na terça-feira e ouviu cerca de 15 funcionários do navio-plataforma no local.
"O engenheiro responsável não tem experiência em gerenciamento de crise, e a informação que recebemos é que o perito americano contratado disse que não há previsão para sanar o problema. Só vimos um navio atuando na contenção do vazamento, e não 17, como a empresa havia dito. Eles têm de explicar esses pontos", afirmou Scliar.
Os responsáveis pela plataforma podem ser indiciados pelo crime de poluição e, se condenados, estão sujeitos a penas que variam de 1 a 5 anos de prisão.
Críticas. O oceanógrafo Luís Melges, professor da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj), critica a falta de um Plano Nacional de Contingência, que começou a ser discutido em 2000, quando houve um vazamento na Baía de Guanabara, e não foi concluído. "Esse plano permite que medidas sejam tomadas imediatamente, sem precisar discutir passo a passo. Não há regra do jogo estabelecida, 11 anos depois", afirma.
Hoje, haverá um sobrevoo com técnicos da Marinha, ANP, Ibama e Instituto Estadual do Ambiente. O secretário estadual do Ambiente, Carlos Minc, diz que cobrará da Chevron reparação: "Aquela região é rota migratória de mamíferos marinhos. E a época da migração é exatamente agora. Vamos cobrar reparação para programas de biodiversidade."
* COLABORARAM KARINA NINNI E FÁBIO GRELLET

Desastre no Golfo matou 11

No dia 20 de abril de 2010, uma falha no equipamento de prevenção de vazamentos na plataforma Deepwater Horizon, operada pela petroleira britânica BP no Golfo do México, causou uma explosão que matou 11 funcionários e fez vazar cerca de 750 milhões de litros de óleo e 6 milhões de litros de dispersantes químicos. O vazamento, que chegou a mobilizar 48 mil pessoas para a limpeza, demorou 86 dias para ser contido.

'Plano de emergência é primeiro passo, mas não é suficiente'
Confira entrevista com John Amos, geólogo fundador da ONG SkyTruth

Alexandre Rodrigues, Rio de Janeiro

John Amos, geólogo que monitora acidentes ambientais com a ajuda de imagens de satélite nos EUA, acha que as informações são vagas. "É importante ter transparência", disse.

A ANP diz que não é possível estimar um vazamento pela mancha. O senhor calcula um fluxo dez vezes maior que o estimado pela Chevron. Quem está certo? Apliquei a mesma metodologia que usamos para alertar sobre o tamanho do acidente do Golfo do México. No começo, as autoridades americanas disseram a mesma coisa, nem tentaram estimar. Depois tiveram de confirmar que o estrago era muito maior.

A hipótese de fluxo por fissão geológica indica algo grave? Não vi nenhuma informação técnica que permita alguma conclusão. Há exploração de petróleo em várias partes, é difícil saber o que se passa.

A falta de planos de contingência torna a atividade insegura? O plano de emergência é um primeiro passo, mas não é suficiente. Os desafios tecnológicos são maiores com o aumento da produção em águas profundas.

OESP, 18/11/2011, Vida, p. A22

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