O Globo, Economia, p. 33
28 de Jan de 2012
Vazamento da Transpetro interdita praia
Ibama prepara laudo para embasar multa ambiental por acidente no RS
Marcio Beck
marcio.beck@oglobo.com.br
RIO - A praia de Tramandaí, no Rio Grande do Sul, atingida na manhã de quinta-feira por um vazamento de óleo provocado pela Transpetro, foi interditada na sexta pela Fundação Estadual de Proteção Ambiental Henrique Luiz Roessler (Fepam), órgão ambiental estadual, e deve continuar proibida para frequentadores ao menos até segunda-feira. O Ibama prepara laudo técnico com a Marinha e a Fepam para embasar a multa que será aplicada à empresa - que pode variar de R$ 5 mil a R$ 50 milhões, segundo o artigo 61 do decreto 6.514/08. Em nota, a ANP informou que iniciou investigação, após ser notificada sobre o acidente na quinta-feira.
Em nota, a Transpetro, subsidiária da Petrobras que opera o Terminal de Osório, onde ocorreu o vazamento, estimou o volume derramado em 1,2 metro cúbico (cerca de 1,2 mil litros). A empresa informou que criou uma comissão para investigar as causas do acidente. Procurada pelo GLOBO, a Transpetro não comentou a informação de que seria autuada pelo Ibama.
Cerca de 200 homens monitoram praia
O material foi retirado da areia em uma operação com 150 pessoas que começou por volta das 22h de quinta-feira, segundo a prefeitura, e terminou às 8h de sexta.
- Há informações não confirmadas de outra mancha ao norte, e de que o vazamento seria de cinco metros cúbicos (cerca de cinco mil litros), mas nossos sobrevoos não detectaram, nem há informações sobre danos mais graves à vida marinha - afirmou o superintendente regional do Ibama no Rio Grande do Sul, João Pessoa Moreira Júnior.
A Fepam deve concluir no sábado um outro laudo, sobre as condições de balneabilidade da praia, afirmou o diretor do órgão, Fernando Niedersberg. Ainda assim, deve aguardar até segunda-feira para reavaliar a interdição. Uma força-tarefa de cerca de 200 homens ainda monitora as águas e a praia em busca de resíduos do óleo que vazou.
Ainda não se pode determinar o impacto econômico do vazamento na atividade turística, disse o prefeito de Tramandaí, Anderson Hoffmeister. Segundo ele, o balneário é o mais populoso do Rio Grande do Sul, e recebe entre 350 mil e 500 mil pessoas por fim de semana:
- Só na segunda-feira vamos ter uma noção dos prejuízos. Sobrevoei a área com o presidente da Transpetro, Sérgio Machado, que recebeu até um telefonema da presidente Dilma Rousseff perguntando sobre a situação. Não verificamos nenhum resíduo.
O prefeito aproveitou para cobrar "tratamento especial" na distribuição dos royalties de petróleo para os municípios onde há unidades sujeitas a desastres ambientais:
- É, provavelmente, o único terminal com embarque e desembarque de petróleo em mar aberto. Se houver algum problema, que estado vai ser afetado? O Rio Grande do Sul. E que município? O nosso. Isto é uma prova que esses municípios devem ser tratados de forma diferenciada.
Para o professor de Engenharia Oceânica da Coppe/UFRJ, Paulo Cesar Rosman, o volume anunciado pela Transpetro é compatível com a informação do Ibama de que a mancha teria um quilômetro quadrado.
- Depende muito das características químicas do óleo, mas, em geral, para ficar visível, a camada de óleo precisa ter no mínimo um milésimo de milímetro de espessura. Fazendo o cálculo, teríamos uma área de 1,2 milhão de metros quadrados, ou um quadrado de 1,1 quilômetro de cada lado. É o equivalente a metade da lagoa Rodrigo de Freitas, que tem 2,3 milhões de metros quadrados - explicou Rosman.
O Globo, 28/01/2012, Economia, p. 33
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