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A Vale, as ONGs e o interesse nacional

Ambientalismo - http://blogdoambientalismo.com
29 de Jul de 2010

Em concorrido evento realizado em São Paulo (SP), em 10 de maio, a Vale lançou oficialmente o seu Fundo Vale para projetos socioambientais na Amazônia. Sete ONGs que atuam fortemente na região - Imazon, Instituto Floresta Tropical, The Nature Conservancy, Instituto Internacional de Educação do Brasil (IEB), Instituto Peabiru, Imaflora e Instituto Socioambiental (ISA) - participam da primeira fase do projeto, que conta com o aporte de R$ 51 milhões até 2012 (Valor Econômico, 11/05/2010).

A Vale do lado das ONGs

Funcionando em caráter experimental desde o ano passado, o fundo já desembolsou R$ 7 milhões para tocar oito projetos em três áreas: promoção de "municípios verdes", criação e consolidação de áreas protegidas e monitoramento da região por satélite. De acordo com a Vale, a ideia é expandir o projeto para o exterior no futuro - países da África sem expertise em sustentabilidade e também para os vizinhos sul-americanos detentores de uma porção da floresta amazônica. «É o 3.0 da sustentabilidade. Queremos olhar mais além das nossas atividades e pensar o futuro do planeta», disse Vânia Somavilla, diretora de Meio Ambiente da Vale.

É forçoso cogitar-se porque a Vale está financiando ONGs que, comprovadamente, fazem campanhas abertas contra empreendimentos na Amazônia que são de interesse declarado da empresa, como a hidrelétrica de Belo Monte. O ISA, por exemplo, quando ainda se denominava Centro Ecumênico de Documentação e Informação (CEDI), é um dos pioneiros na campanha contra a usina, sendo um dos principais organizadores do famoso Encontro de Altamira, em fevereiro de 1989, cujo principal objetivo era impedir a construção das hidrelétricas projetadas para o rio Xingu e afluentes.

A Vale não é mais brasileira, então...

Além disso, uma análise mais apurada das sete ONGs parceiras do Fundo Vale revela que todas elas integram, direta ou indiretamente, o "consórcio" de ONGs articulado e financiado pelo governo dos EUA, por intermédio da Agência de Desenvolvimento Internacional (USAID), para implementar a "governança ambiental" da Amazônia. Em junho de 2005, a USAID lançou a chamada Iniciativa para Conservação da Bacia Amazônica (ABCI, na sigla em inglês), cujo propósito declarado era coordenar as ações de diversos grupos ambientalistas e indigenistas nacionais e estrangeiros, reunindo-os em "consórcios" e provendo-os dos recursos e instrumentos de "governança ambiental" para o controle efetivo da região. A intenção era recrutar povos indígenas, "populações tradicionais" e ONGs nacionais e estrangeiras para criar uma rede que em nada difere de um exército de ocupação pós-moderno a serviço de um esquema de "governo mundial" controlado por grupos hegemônicos do establishment anglo-americano.

A denúncia então feita pelo jornalista Lorenzo Carrasco, diretor do Movimento de Solidariedade Ibero-americana (MSIa), ensejou uma oportuna intervenção do Ministério da Defesa e do Itamaraty, que determinou à USAID a suspensão momentânea do projeto. Entretanto, sabe-se que ele prossegue sob outras formas, com alguns dos seus programas tendo sido transferidos para certas ONGs do aparato ambientalista-indigenista.

Projetos indigenistas

Veja-se, à guisa de exemplo recente, a breve descrição do Consórcio Paisagens Indígenas Brasil, da ONG "parceira" The Nature Conservancy:

«Liderado pela The Nature Conservancy (TNC), o Consórcio Paisagens Indígenas Brasil tem como parceiros o IEB; a Coordenação das Organizações Indígenas da Amazônia Brasileira (COIAB); o Conselho Indígena de Roraima (CIR); e o Instituto de Pesquisa e Formação Indígena (IEPÉ). O Consórcio, apoiado pelo Programa de Meio Ambiente da Missão da USAID Brasil, tem como objetivo fortalecer organizações indígenas da Amazônia brasileira para que estas se tornem ainda mais aptas a gerir os seus próprios territórios e influenciar políticas públicas e decisões de gestão nas paisagens em que situam as terras indígenas.»

Veja-se ainda outro exemplo recente, o Projeto Cluster:

«O Projeto Forest Enterprise Cluster, apoiado pela USAID, é coordenado pelo Serviço Florestal Americano (US Forest Service) e implementado pelo IEB em parceria com o Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia (Imazon), Instituto Floresta Tropical (IFT) e Instituto de Pesquisas Ecológicas (Ipê), tem o objetivo de atuar junto à consolidação de planos de manejo praticados por comunidades e indivíduos na Amazônia brasileira... As ações serão realizadas no Pará, onde o IEB, o Imazon e o IFT têm atuação privilegiada no campo do manejo florestal e onde os desafios parecem maiores, em razão da criação de vastas áreas de florestas de produção.»

Fica, então, a pergunta: porque a Vale estaria financiando ONGs que militam contra os interesses nacionais, além dos da própria empresa? Será que esse duvidoso marketing "verde" compensa?

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