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Uso de verba para jardins verticais será investigado

OESP, Metrópole, p. A14
18 de Ago de 2016

Uso de verba para jardins verticais será investigado
MP abriu inquérito para apurar se a aplicação de receitas está ocorrendo legalmente; Prefeitura vê projeto como benéfico

Bruno Ribeiro

O Ministério Público Estadual (MPE) determinou abertura de inquérito para apurar a instalação de jardins verticais em empenas cegas de prédios ao redor do Elevado Presidente João Goulart, o Minhocão. A alegação é que a aplicação de receitas de compensações ambientais de empresas para essa ação, por parte da Prefeitura, configuraria desvio no uso dos recursos do Fundo Especial do Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável (Fema).
O promotor de Habitação e Urbanismo Marcus Vinicius Monteiro dos Santos determinou que a Prefeitura envie a documentação que liberou a instalação dos jardins já existentes ao redor do Minhocão, com a autorização de 100% dos moradores dos prédios e cópia dos acordos com as empresas que fizeram as obras.
A irregularidade a ser apurada seria o desvio de função dos recursos para esse programa. Por lei, empreendimentos comerciais que causam impactos ambientais têm de garantir compensações para diminuir os danos à cidade. Essa compensação pode ser em obras ou mesmo em dinheiro, para o Fema.
Integrante do Movimento Desmonte o Minhocão Artur Monteiro Rocado, um dos autores da representação que deu origem à ação, disse que o questionamento é sobre a aceitação dos jardins verticais como forma de compensação. "Se você pega cem vasos e os coloca em uma mesa, esses vasos na horizontal não são aceitos como compensação ambiental de empreendimentos. Por que seriam aceitos, então, vasos colocados de forma vertical?", questionou.
A ação do MPE também fez questionamentos sobre outros pontos do projeto, implementado em diversas cidades do mundo. Os pontos levantados são sobre o escoamento da água com produtos químicos que seriam usados nas plantas e sobre a possibilidade de acúmulo de água, o que poderia dar origem a focos de mosquitos.
Em ações anteriores, a Prefeitura informou que a irrigação dos jardins é feita de forma que a água não utilizada retorna para novo uso e destacou benefícios como redução de calor e até de barulho no interior dos prédios. Nesta quarta-feira, 17, questionada sobre a ação, a gestão Fernando Haddad (PT) informou estranhar a atitude do MPE, mas que prestaria os esclarecimentos. A gestão disse que, no seu entendimento, o programa é benéfico para a cidade.

OESP, 18/08/2016, Metrópole, p. A14

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