OESP, Economia, p. B3
26 de Nov de 2007
Usina com o Peru é uma das alternativas
Brasil também estuda adotar navios para transportar gás aos vizinhos
Lu Aiko Otta
Não são apenas os projetos antigos de integração energética que prometem ganhar impulso nos próximos meses. Há também idéias novas, como a construção de uma usina hidrelétrica binacional na fronteira com o Peru e o uso de um navio transportador de gás da Petrobrás para reforçar o fornecimento para a Argentina, o Chile e o Uruguai.
Pelo projeto, o navio levaria gás para os países vizinhos nos períodos em que a demanda por gás no Brasil é pequena. Segundo os técnicos que trabalham na proposta, a maior necessidade de gás nos países vizinhos coincide com os meses em que o consumo do combustível no Brasil é menor.
O País precisa de gás extra no verão, pois nesse período os reservatórios das usinas hidrelétricas estão baixos e, por isso, as usinas termelétricas, movidas a gás, precisam entrar em funcionamento.
Já a Argentina e o Chile precisam de reforço no inverno, pois o frio faz subir o consumo de energia elétrica para aquecimento.
Essa operação só será possível porque os navios da Petrobrás serão como mini-reservas portáteis de gás. As embarcações podem trazer o gás, na forma líquida (Gás Natural Liquefeito, ou GNL), de fontes como África ou Rússia. Os navios terão um equipamento que permitirá converter o líquido novamente em gás e injetá-lo nos gasodutos. Pelos planos da Petrobrás, um navio operará no Rio de Janeiro e outro, no Ceará.
O que está em análise no momento é permitir que a embarcação que operará no Rio possa ir até o Uruguai, onde injetará o gás num duto que vai até a Argentina e de lá segue para o Chile. Os negociadores envolvidos no projeto não esperam que o sistema comece a funcionar já em 2008. Porém, vislumbram nele uma solução de prazo relativamente curto para diminuir a crise energética que, em graus variados, atinge todo o continente.
A escassez de energia também colocou em pauta uma hidrelétrica binacional com o Peru. Em setembro e outubro, os técnicos dos dois países tiveram as primeiras reuniões para formatar o projeto. A idéia é construir uma usina na Amazônia peruana, fronteira com o Brasil. De acordo com informações de um negociador, as acentuadas quedas d'água na região favorecem o empreendimento.
OESP, 26/11/2007, Economia, p. B3
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