Valor Econômico, Empresas, p. B2
31 de Jul de 2015
Usina Cachoeira do Caldeirão deve ter geração antecipada
Por Camila Maia
Em um setor onde o atraso na conclusão de projetos é comum, a Energias do Brasil, controlada pelo grupo português EDP, se prepara para antecipar pela segunda vez consecutiva a entrada em operação de uma hidrelétrica e, como consequência, colher os benefícios da venda da energia antecipada no mercado de curto prazo.
O presidente da companhia, Miguel Setas, afirmou ontem que a entrada em operação da hidrelétrica Cachoeira Caldeirão deve ser antecipada de 6 a 12 meses.
A usina, localizada no Amapá, estava prevista oficialmente para janeiro de 2017, mas deve entrar em operação no primeiro semestre do ano que vem. Como a energia só foi contratada para janeiro de 2017, a Energias do Brasil poderá vender os 219 megawatts (MW) de potência da unidade no mercado de curto prazo.
No entanto, diferentemente do que aconteceu com a antecipação da entrada em operação da hidrelétrica Santo Antonio do Jari, no ano passado, os preços mais baixos do mercado de curto prazo não devem permitir um aumento tão elevado dos ganhos com a operação.
Em 2014, o teto do preço de liquidação das diferenças (PLD) era de R$ 822 por megawatt-hora (MWh) e o preço médio negociado no ano foi próximo de R$ 650 por MWh. Neste ano, o PLD máximo permitido caiu para R$ 388 por MWh e os preços estão sendo negociados atualmente abaixo dos R$ 200 por MWh, devido às chuvas acima da média no período normalmente seco do ano.
"Agora, o PLD está mais baixo, então o impacto será naturalmente menor do que tivemos no ano passado", disse Setas. Segundo o executivo, não é possível fazer uma estimativa, mas a companhia está "convicta" de que haverá um impacto positivo.
A hidrelétrica de Jari teve o início da operação antecipada para meados de setembro do ano passado, quando a previsão oficial era em janeiro deste ano.
Com isso, a Energias do Brasil conseguiu vender a energia gerada no mercado à vista. A companhia vendeu 231,3 gigawatts-hora (GWh) gerados na usina no mercado à vista.
Segundo Setas, a Energias do Brasil consegue antecipar projetos ao escolher apenas empreendimentos de média escala, sempre com menos de mil MW.
"Vocês não vão ver a EDP participando de usinas de grande dimensão, pois os riscos que estão envolvidos são para os quais nossa empresa não está preparada para gerir", disse o executivo.
Além disso, Setas disse que a EDP faz uma avaliação profunda de todos os riscos envolvidos com os projetos e executa um modelo de gestão e administração muito controlado.
Mesmo sem contar com a energia de Cachoeira Caldeirão, a Energias do Brasil se preparou para iniciar 2016 com uma capacidade descontratada de 19%, se protegendo assim de um possível déficit de geração de energia hídrica (GSF, na sigla em inglês).
O governo ainda negocia uma solução com as geradoras que poderá limitar o déficit a 5%, mas a companhia conta com essa energia extra para se proteger.
"Independentemente de uma solução que venha a ser adotada para ajudar as empresas a compensar o efeito econômico relevante, temos a possibilidade de gestão do risco com a energia disponível", disse Setas.
A companhia ainda não tem um plano para essa energia descontratada se houver uma limitação do déficit. Segundo Setas, a energia pode ser vendida no curto prazo ou em outros contratos, mas isso ainda não foi definido.
"Nós verificamos que há por parte do ministério [de Energia] e do regulador [a Agência Nacional de Energia Elétrica] uma predisposição muito positiva para encontrar uma solução estrutural adequada para compensar o efeito", disse o executivo.
Valor Econômico, 31/07/2015, Empresas, p. B2
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