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Usiminas desiste de construir aeroporto próximo a parque após pressão de ambientalistas

Folha Online - www1.folha.uol.com.br
Autor: Paulo Peixoto
19 de mar de 2009

Após pressão de ambientalistas e cientistas, a Usiminas desistiu de construir o seu novo aeroporto nos limites do Parque Estadual do Rio Doce, no Vale do Aço mineiro. A siderúrgica levará o empreendimento para Belo Oriente (268 km de Belo Horizonte), a cerca de 40 km da maior floresta tropical de Minas Gerais, um dos mais importantes remanescentes da mata atlântica do país.

Por conta da mudança, o aeroporto será também limitado. Não terá mais 2.600 metros de pista, o que o tornaria o segundo maior de Minas. Terá agora cerca de 1.200 metros de pista, construído em uma área de reflorestamento da Cenibra.

O comunicado foi feito na quinta-feira (20) pelo presidente da Usiminas, Marco Antônio Castelo Branco, e pelo governador Aécio Neves (PSDB), que afirmou que a ideia anterior gerava um "problema ambiental de grandes proporções". Projetos futuros da empresa que dependam de infraestrutura aeroportuária poderão ficar prejudicados.

Castelo Branco disse que, com a decisão, caberá ao Estado buscar soluções se for preciso uma ampliação aeroportuária na região. "A questão da ampliação, devido ao crescimento industrial e econômico daquela região, é uma questão da política de desenvolvimento do Estado, e com certeza o Estado terá respostas do ponto de vista de infraestrutura aeroportuária no momento que for necessário", afirmou.

A Usiminas já possuía uma licença prévia do conselho do parque, do qual representantes do governo de Minas fazem parte, para tocar o projeto do aeroporto, embora o secretário do Meio Ambiente, José Carlos Carvalho, dissesse que a prioridade era tentar encontrar um outro local. O projeto vinha sendo questionado desde agosto do ano passado.

Um relatório de 15 páginas foi formulado por 14 cientistas das universidades federais UFMG, UFOP (Ouro Preto), UFV (Viçosa), UFG (Goiás) e ainda da PUC-MG apontando vários riscos à fauna e à flora do parque, que tem 37 mil hectares, área equivalente a 233 parques Ibirapuera. Na região, são 140 lagoas, por onde aves migratórias circulam.

Apesar de a Usiminas ter contestado as dúvidas sobre a operação e negado danos ao ambiente, a empresa resolveu cancelar o projeto.

Carvalho disse que o que mais pesou na decisão foi a expansão futura do aeroporto, o que, inevitavelmente, segundo ele, levaria à urbanização da região ao longo dos 40 km da margem esquerda do parque.

"Isso criaria uma vulnerabilidade inaceitável para a conservação do parque. Essa foi a visão do meio ambiente, felizmente reconhecida pela Usiminas, que entendeu a necessidade de buscar um novo local", afirmou o secretário.

Dalce Ricas, que dirige a Associação Mineira de Defesa do Ambiente, uma das mais antigas ONGs do Estado, disse que a decisão é motivo de comemoração. "Nós louvamos e agradecemos o bom senso do governo porque o parque é tão importante quanto o aeroporto, só que o parque não tem alternativa locacional."

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