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Uribe admite que polícia atirou contra marcha de indígenas

OESP, Internacional, p. A18
24 de Out de 2008

Uribe admite que polícia atirou contra marcha de indígenas
Presidente colombiano fez admissão ao ver imagens, mas negou que os tiros tenham matado manifestantes

AP e Reuters, Bogotá

O presidente colombiano, Álvaro Uribe, reconheceu ontem que a polícia disparou contra a marcha de 10 mil indígenas que partiu na terça-feira da cidade de Piendamó, no Departamento (Estado) de Cáuca, e pretende chegar a Cali no domingo.

Desde o início da marcha, há quatro dias, os choques com a polícia já provocaram a morte de três manifestantes, além de ferimentos em 100 indígenas e em pelo menos 70 policiais.

Os movimentos sociais vinham acusando a polícia colombiana pelas mortes.

Uribe - que inicialmente negava que a polícia tivesse disparado contra os manifestantes - fez a admissão ontem, depois de ver as imagens veiculadas pela rede de televisão americana CNN que mostram um homem de máscara negra e uniforme verde-oliva disparando três vezes um fuzil modelo M-16, em meio a um grupo de policiais com equipamentos antidistúrbio.

Embora o presidente colombiano tenha confirmado os disparos, ele continua negando que a polícia esteja envolvida nas mortes. O comandante das operações confirmou que este tipo de arma não pode ser carregada com balas de borracha.

A marcha indígena ganhou ontem o apoio de uma das principais centrais sindicais do país, a CUT, que decretou greve deixando 10 milhões de estudantes sem aulas e a interrompendo outros serviços por 24 horas em todo o país.

No mesmo dia, seis explosões simultâneas provocaram ferimentos em 16 pessoas na capital, Bogotá, enquanto outras seis bombas caseiras feitas com botijões de gás eram desarmadas no trajeto por onde a marcha indígena deveria passar, na Rodovia Pan-Americana, que liga o sudoeste ao centro da Colômbia.

Um ônibus foi incendiado na capital e diversos carros e prédios da Universidade Nacional foram danificados durante confrontos entre policiais e estudantes que chegaram a usar coquetéis molotov e lança-granadas artesanais, feitos com tubos de PVC.

A adesão dos trabalhadores urbanos filiados à CUT deu novo fôlego aos indígenas, que, ontem, se recusaram a desviar o trajeto da marcha para Popayán, onde Uribe estará no domingo, acompanhado de ministros, à espera de um possível diálogo que possa pôr fim às manifestações e choques.

Os líderes da marcha pretendem chegar a Cali, reunindo 20 mil indígenas, entre eles, o presidente boliviano, Evo Morales que, segundo eles, confirmou presença.

OESP, 24/10/2008, Internacional, p. A18

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