CB, Opinião, p. 19
Autor: PACHECO, João
15 de Nov de 2006
A União Européia e o governo Lula II
João Pacheco
Chefe da Delegação da Comissão Européia no Brasil
A União Européia e o Brasil têm tradicionalmente boas relações, cobrindo domínios muito vastos, do político ao econômico, comercial ou cultural. Durante o primeiro governo Lula, as relações se intensificaram. Marco importante foi a primeira visita bilateral de um presidente da Comissão Européia ao Brasil.
Coube ao presidente Durão Barroso a primazia, e da reunião com o presidente Lula saiu uma série de pontos comuns e uma agenda de trabalho para o futuro.
O futuro está aí à nossa frente. O presidente Lula foi reeleito com um resultado expressivo.
Que esperamos do governo Lula II para as relações Brasil/UE? As nossas expectativas são, em primeiro lugar, a de reforço das relações políticas. Brasil e UE partilham a visão de um mundo multipolar, com equilíbrio e respeito entre os diferentes Estados. Partilham ainda valores de respeito de direitos humanos, da democracia e da liberdade, de desenvolvimento econômico, de inclusão social.
No campo político, a UE distingue-se pelo apoio indefectível à integração regional, que se traduz nas nossas relações com o Brasil pelo apoio ao reforço do Mercosul e do papel de liderança do Brasil pela integração regional na América do Sul. Temos, pois, que elevar e estruturar melhor o nosso diálogo político sobre assuntos que ultrapassam a esfera do bilateral para abrangerem trocas de opiniões, de informações e ações conjuntas no cenário mundial. Estamos já trabalhando ativamente para reforçar o diálogo político em diferentes setores, desde o social ao dos transportes marítimos ou de desenvolvimento regional.
Em seguida temos as relações econômicas e comerciais. Nunca é demais realçar que a UE é o maior investidor no Brasil e o maior importador de produtos brasileiros do mundo. Por seu lado, o Brasil é uma economia emergente, com grande potencial de crescimento, incluídos setores de alta tecnologia.
O projeto que ambos temos na mão de criação de maior área de livre comércio do mundo, mediante Acordo de Associação entre o Mercosul e a UE, deve ter avanços decisivos no início do próximo mandato. Nós estamos encorajados pelas declarações consistentes do apoio à conclusão desse acordo pelo presidente Lula e pelo ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim. Pode o governo brasileiro contar conosco para intensificar as negociações em curso e para fechar esse acordo tão breve quanto possível.
Os ganhos mútuos em termos de desenvolvimento do comércio, de aumento de investimento, de criação de empregos são demasiado expressivos. A maior interpenetração econômica entre os dois blocos reforçaria ambas as partes e permitiria que tanto o Brasil e os outros países do Mercosul, quanto a UE aproveitassem melhor os benefícios da globalização, aumentando a competitividade em relação ao resto do mundo.
Outras áreas de cooperação podem e devem ser reforçadas. Na área de energia, podemos avançar na nossa cooperação sobre biocombustíveis. A Comissão Européia realizará em meados de 2007 uma grande conferência internacional sobre o tema, para a qual o presidente Durão Barroso já convidou o presidente Lula. Mas, nessa área, estamos também interessados em que o Brasil participe no Projeto Iter, que visa criar nova forma de geração de energia pela fusão nuclear.
Na área do espaço, contamos ter em breve o engajamento formal do Brasil no Projeto Galileo. Galileo é um projeto civil que trará mais e melhores facilidades que o atual GPS, de controle militar. Na área das ciências e da pesquisa, esperamos ainda expressiva participação do Brasil no nosso grande Programa Quadro.
Poderia continuar, referenciando outras áreas em que nossas relações podem e devem reforçar-se. Porém gostaria de terminar realçando um ponto fundamental: quando há tanto que nos une e tão pouco que nos divide, é dever dos nossos governos trabalhar para dar corpo, dar consistência, dar perspectivas às nossas relações. Relações que são já boas e que espero se tornarão ainda melhores.
CB, 15/11/2006, Opinião, p. 19
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