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Uma solução verde: o ecoturismo

OESP, Metrópole, p. C4
25 de Dez de 2005

Uma solução verde: o ecoturismo
Trilhas e quedas d'água cercadas de mata atlântica, dentro do Parque Estadual da Serra do Mar, atraem turistas

O Parque Estadual da Serra do Mar é o maior de São Paulo e o que concentra o mais rico e extenso naco de mata atlântica do País dentro de um parque - nada menos do que 315 mil hectares, entre a divisa com o Rio de Janeiro e o município de Peruíbe, no litoral sul. Tamanha riqueza tem de ser aproveitada. O ecoturismo é apontado por ambientalistas como ferramenta capaz de bloquear a expansão urbana sobre as áreas verdes, atrair turistas, gerar empregos e o desenvolvimento sustentável na região.
"Temos de trazer as pessoas para o parque, de forma sustentável, e não com o adensamento das ocupações no entorno como vem acontecendo. O potencial para ecoturismo no litoral é imenso, mas mal aproveitado. São 30 mil hectares de mata atlântica somente em São Sebastião", diz o diretor do núcleo de São Sebastião do Parque Estadual da Serra do Mar, Edson Marques Lobato. Segundo ele, o Plano Diretor do parque, em elaboração, definirá, entre outras coisas, o uso das áreas para atividades turísticas.
"A alternativa ao desenvolvimento desordenado para o litoral é criar condições para que o turismo aconteça, crie empregos e movimente a economia", diz Teo Balieiro, consultor ambiental da prefeitura de São Sebastião. Não se trata de um sonho tão distante. O turismo já é o terceiro produto de exportação na balança comercial brasileira, atrás apenas da soja em grãos e do minério de ferro. Entre janeiro e setembro, US$ 2,8 bilhões entraram no País pelas mãos dos mais de 9,5 milhões de turistas que desembarcaram nos aeroportos internacionais - 15% a mais do que no mesmo período de 2004. Resta, agora, atrair esses turistas para conhecer um lado de São Paulo bem diferente do que eles já conhecem na capital.
Nos 616 quilômetros de extensão do litoral norte apenas, além de 183 belas praias, existem mais de 300 cachoeiras e muitas trilhas a serem exploradas. São uma boa opção ao burburinho das areias durante as férias de verão. Além de passeios, as operadoras também oferecem esportes radicais na mata - os preços variam de R$ 35,00 a R$ 100,00 dependendo da atividade e número de locais a serem visitados.
Em Camburi, o destino é a Cachoeira do Sertão do Cacau. Para chegar até lá, ou a qualquer outra, só com o acompanhamento de um guia. A caminhada não é longa: leva cerca de 40 minutos. Mas são muitas as descidas e subidas. Recomenda-se ir de tênis, calça e uma dose extra de repelente. No trajeto, atravessa-se uma plantação de cacau - daí o nome. O esforço da caminhada é compensado por três quedas. A segunda forma uma grande piscina natural de água gelada e transparente. "Aqui é um paraíso para quem mora em São Paulo", diz o checo Karel Merta, de 56 anos. "E, nesta época, é mais tranqüilo que a praia."
Nas praias vizinhas há roteiros de ecoturismo. Em Boiçucanga, uma caminhada leva ao circuito de cachoeiras do Ribeirão de Itu, com três quedas - Pedra Lisa, Samambuaçu e Poço da Serpente - e diferentes níveis de dificuldade. Para chegar à primeira queda são 40 minutos. Ainda em Boiçucanga, o Tuim Parque tem área de 3 mil hectares e capacidade para receber cem pessoas por dia com atividades como trilhas, arvorismo, passeios de quadriciclo pela mata e canoagem.
Em Barra do Una, a atração é a Cachoeira do Escorrega onde, como o próprio nome diz, as pedras formam um imenso escorregador natural. São 2 quilômetros de trilha em uma área particular e somente grupos com guias credenciados podem entrar.
Do outro lado do Canal de São Sebastião, o Parque Estadual de Ilhabela é uma opção para quem quer fugir das 39 praias lotadas durante a temporada. Tem montanhas de até 1.379 metros, cobertas de verde, e mais de 250 cachoeiras a serem exploradas . São 344 km² de área, dos quais 92% de preservação ambiental. Alguns passeios são bem sinalizados, como o que leva à Cachoeira da Água Branca, com 2,1 quilômetros de caminhada. Fica no meio do caminho para a Praia de Castelhanos, onde só se chega de jipe, pois é uma estrada de terra acidentada.

OESP, 25/12/2005, Metrópole, p. C4

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