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Uma analise cautelosa de dados cientificos

OESP, Geral, p.A14
23 de Mai de 2004

Uma análise cautelosa de dados científicos
FLAVIO FINARDI FILHO
O relatório da FAO é um suporte de credibilidade para a biotecnologia. O documento não deixa margem a dúvidas, afirmando que os atuais produtos geneticamente modificados disponíveis nos mercados não causam problemas para a saúde de quem os consome. Como era de esperar, o texto do relatório é eqüidistante das posições passionais dos militantes a favor e contra os transgênicos. É, antes de tudo, um documento de compilação de dados e de análise cautelosa de resultados científicos, reconhecendo pontos positivos na aplicação da metodologia de recombinação genética para a produção de alimentos.
A entidade aponta avanços alcançados pelo emprego de plantas geneticamente modificadas (GMs), como o aumento de produtividade e seu impacto na economia, a redução da carga de defensivos agrícolas e a conseqüente diminuição dos danos ambientais, maior investigação sobre a segurança de novos alimentos e a potencialidade de incorporar mais e melhores nutrientes nos produtos destinados às populações pobres.
No entanto, engana-se quem supõe que a FAO emitiu um cheque em branco para os organismos geneticamente modificados (OGMs), pois o texto ressalta que os novos casos devem ser avaliados individualmente quanto aos parâmetros de segurança. O relatório cita também divergências entre pesquisadores sobre a inocuidade no ambiente de animais GMs que ainda se encontram em fase experimental, deixando claro que são necessárias novas avaliações, pois a metodologia não é a panacéia.
A FAO sinaliza que o grande entrave para o desenvolvimento de alimentos populares está na defasagem de investimentos entre os setores privados de pesquisa, dominados pelas corporações transnacionais, e os organismos públicos. Países em desenvolvimento - como Brasil, China e Índia - são detentores da tecnologia. Porém, sofrem com as restrições orçamentárias que os impedem de implementar projetos de cunho social com a criação de produtos para consumo interno, de baixo valor agregado. Há urgência para projetos envolvendo batata, feijão, arroz, trigo e mandioca.
Espera-se, portanto, que o apoio da FAO, expresso no relatório, sirva de incentivo a ações conjuntas e convergentes entre universidades, instituições de pesquisa e empresas no planejamento de novos projetos e na aplicação compartilhada de recursos para a biotecnologia.

OESP, 23/05/2004, p. A14

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