JB, Pais, p.A4
11 de Out de 2004
Um sertanista desde o berço
Nascido em aldeia xavante e ex-presidente da Funai, Apoena Meireles comandou investigações sobre chacina
Apoena Meireles era filho do também sertanista Francisco Meireles. Ele nasceu em uma aldeia Xavante em Pimentel Barbosa (MT) e desde cedo acompanhava o pai nas frentes de trabalho nas aldeias. Seu nome Apoena foi uma homenagem a um famoso líder xavante. Autor de um projeto de descentralização da Funai, ocupou a presidência da fundação durante o período de novembro de 1985 a maio de 1986.
O sertanista tinha 17 anos quando travou contato, pela primeira vez, com os índios cintas-largas, na companhia do pai. Meireles esteve com dezenas de povos indígenas no Brasil e havia se aposentado na Funai, mas no ano passado foi convidado a voltar ao trabalho e ocupava o cargo de coordenador em Rondônia, onde tinha contato com os povos Uruí, Soro e os cintas-largas de Rondônia e da reserva de Apurinã, que fica no Mato Grosso.
Apoena comandou as investigações sobre a chacina de 29 garimpeiros na área da Reserva Indígena Roosevelt, em Rondônia. Ele foi um dos primeiros a entrar na região depois da tragédia, quando a tensão entre índios e garimpeiros era grande, permitindo o resgate dos corpos.
A operação Roosevelt tinha a intenção de garantir a integridade dos índios e proibir a entrada de garimpeiros dentro da reserva enquanto estavam em curso as apurações da Polícia Federal e da Agência Brasileira de Inteligência (Abin). O objetivo era chegar até os intermediários em Pimenta Bueno, onde ficam empresas internacionais com interesse na garimpagem. Apoena iria ainda organizar um grupo-tarefa para garantir que os índios pudessem receber recursos do governo para sobreviver.
- Ele foi para lá justamente para organizar o grupo-tarefa para quando o dinheiro chegasse viabilizar a sua distribuição - informou o assessor da Fundação Nacional do Índio (Funai) Vitorino Nascimento.
O sertanista estava no Estado fazia cerca de 10 dias para explicar aos índios o decreto assinado pelo presidente Lula em setembro que fechou os garimpos em reservas indígenas e o projeto de lei que regulamenta a atividade em reservas.
JB, 11/10/2004, p. A4
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