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Um projeto para salvar as oncas

OESP, Vida, p.A13
05 de Abr de 2005

Um projeto para salvar as onças
A intenção dos pesquisadores é manter um banco de sêmen para garantir a sobrevivência da espécie, ameaçada de extinção
Chico Siqueira
Especial para o Estado Araçatuba
Um projeto com a participação de pesquisadores brasileiros e americanos, especialistas em fisiologia e reprodução, está formando bancos de dados e de sêmen para a preservação da onçapintada (Panthera onca), o maior felino e um dos maiores predadores das Américas. A onça-pintada, que vive na América do Sul, é um dos animais que constam na lista dos ameaçados de extinção. Não se sabe ao certo sua população, mas estimativas não oficiais indicam que não passa de 10 mil o número de animais soltos hoje nas Américas.
A onça-pintada vive atualmente acuada pela caça e pela fragmentação das áreas do seu hábitat, tomadas por culturas agrícolas e pela pecuária. Ao ser obrigada a atacar rebanhos domésticos por causa da falta de espaço, as onças são caçadas ou mortas por envenenamento.
O projeto, denominado Avaliação Reprodutiva e Sanitária de Onças-Pintadas em Cativeiro e Criopreservação do Sêmen como Ferramenta para a Conservação da Espécie, é desenvolvido pelo Centro Nacional de Predadores (Cenap), do Ibama, em parceria com a Associação para a Conservação dos Carnívoros Neotropicais (Pró-Carnívoros) e Instituto Smithsonian, dos Estados Unidos, e recebe apoio de diversas entidades e criadouros do Brasil.
Desde agosto, quando o projeto foi lançado, foi coletado sêmen de 12 animais que vivem livres e de 30 em cativeiros nos Estados de São Paulo, na divisa com Mato Grosso do Sul, e no Pantanal.
As próximas coletas devem ser feitas em animais de Foz do Iguaçu, fronteira entre Brasil, Argentina e Paraguai, e do Parque Nacional das Emas, em Goiás.
Para coletar o sêmen de animais soltos, os pesquisadores se unem a grupos de monitoramento, que sedam as onças para colocar radiotransmissores e chips. E nesse momento que os pesquisadores usam um equipamento chamado eletroejaculador para retirar sêmen e sangue para análises que vão informar o banco de dados sobre as condições sanitárias e reprodutivas dos animais.
Além disso, o projeto trabalha no aprimoramento das técnicas de congelamento de sêmen para deixá-lo em condições para servir a inseminações artificiais e fertilizações in vitro. A produção de embriões de onças-pintadas foi obtida no País em 1998, por meio de um projeto entre a USP e a Pró-Carnívoros, mas o resultado não foi satisfatório. A esperança é de que, com os novos estudos sobre congelamento e técnicas de inseminação, a produção de embriões seja aperfeiçoada. O projeto estará concluído até o fim de 2006, mas o domínio do congelamento deve ser obtido ainda neste ano.
Apesar dos avanços, os cientistas alertam de que o banco de sêmen e as inseminações artificiais só devem ser usados em último caso. "Esse trabalho é secundário, primeiro precisamos preservar as áreas naturais e educar nosso povo", diz o coordenador do projeto, Ronaldo Morato, veterinário do Cenap. "Este trabalho é só um seguro contra a extinção, para ser usado em caso de catástrofe e tudo isso vai por água abaixo se não preservarmos os espaços para esses animais."

OESP, 05/04/2005, p. A13

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