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Um plano global contra invasores

OESP, Vida, p. A16
24 de mar de 2006

Um plano global contra invasores
Brasil se unirá a outros países para combater pragas animais e vegetais

Herton Escobar

O Brasil assinou ontem sua ficha de inscrição para uma iniciativa internacional de combate a espécies invasoras, consideradas a segunda maior ameaça à biodiversidade do planeta depois da destruição de hábitats. O esforço é comandado pelo Programa Global de Espécies Invasoras (GISP), que divulgou ontem o primeiro relatório consolidado sobre o problema na América do Sul. Só no Brasil, são mais de 500 espécies invasoras, que podem acarretar prejuízos anuais de US$ 50 bilhões, segundo as estimativas mais recentes do Ministério do Meio Ambiente (MMA).
O relatório América do Sul Invadida foi um dos destaques ontem na COP 8, em Curitiba. Segundo Sílvia Ziller, coordenadora do Programa de Espécies Invasoras da organização The Nature Conservancy para a América do Sul, não é possível calcular um número total de espécies invasoras para a região, por causa de falta de conhecimento e monitoramento. "Alguns países têm informações coletadas, mas não de uma forma organizada", disse. A única certeza, segundo ela, é que são muitas, e que o impacto sobre o meio ambiente é significativo.
As espécies invasoras são animais, plantas, insetos e outras pragas introduzidas em ecossistemas ao qual não pertencem, mas nos quais conseguem se desenvolver à custa das espécies nativas. Sem predadores naturais, elas se espalham pelo ambiente, atacando espécies locais e competindo com elas por recursos como água, alimento e luz. "Não é que ela vai ser uma espécie a mais; ela vai fazer com outras espécies desapareçam", afirma Sílvia.
Exemplos no Brasil incluem plantas e animais conhecidos, como tilápia, carpa, bagre, pinus, camarão-da-malásia, caramujo africano e o mexilhão dourado, além de vários tipos exóticos de capim. "Mais de 75% das espécies invasoras no Brasil foram introduzidas intencionalmente para atividades econômicas", diz Sílvia.
O tema é uma das prioridades do MMA, segundo o coordenador do Programa de Recursos Genéticos do ministério, Lídio Coradin. "Vamos atacar o problema", garante. Os prejuízos bilionários, segundo ele, referem-se tanto aos custos de combate às espécies invasoras quanto os danos causados por elas ao meio ambiente, à saúde e à cadeia produtiva.
A participação no projeto do GISP, chamado Iniciativa dos Dez Países, deverá ser oficializada ainda em Curitiba pela ministra do Meio Ambiente, Marina Silva. A COP 8 termina no dia 31.

OESP, Vida, 24/03/2006, p. A16

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