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Um perigo: capivaras demais

OESP, Geral, p.A11
11 de Mai de 2004

Um perigo: capivaras demais Ibama e Esalq vão assinar termo de cooperação para estudo e controle dos animais
HERTON ESCOBAR
A derrubada de matas ciliares está causando um aumento das populações de capivaras no interior de São Paulo e trazendo preocupação para as autoridades sanitárias da região. Longe de ser uma atração para o ecoturismo, a reprodução aumenta o risco de disseminação do carrapato transmissor da febre maculosa, que utiliza os roedores como hospedeiros. A doença é rara, mas fatal quando não diagnosticada rapidamente.
O problema será tema de um encontro depois de amanhã em Piracicaba na Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq), da Universidade de São Paulo, no qual será firmado um acordo de cooperação com o Ibama para tratar das capivaras. Só na propriedade da escola, de 900 hectares, vivem cerca de 350 dos grandes roedores, segundo o prefeito do campus, Marcos Vinícius Folegatti. Na bacia do Rio Piracicaba, diz ele, são "alguns milhares".
A situação piorou nos últimos anos por causa do corte das matas nas margens dos rios, abrindo pastagens perfeitas para a procriação das capivaras. "É como se estivéssemos dando comida na boca delas."
O filho de um professor da Esalq morreu em 2002 de febre maculosa, depois de passear pelo campus e ser picado por carrapatos. Os ácaros se reproduzem no solo e utilizam animais como hospedeiros, principalmente capivaras e cavalos. O ciclo da doença, causada por uma bactéria, entretanto, é pouco conhecido. "Ainda não sabemos qual é o reservatório da bactéria. A capivara é uma das suspeitas, mas não há nada comprovado", diz Folegatti.
Ou seja: sabe-se que o carrapato transmite a febre maculosa para o homem, mas não quem a transmite para o carrapato. Como não há inseticida específico contra ele, a melhor estratégia é evitar contato com o parasita. Ou, quando picado, retirá-lo da pele o mais rápido possível, diz a especialista Dalva Marli Valério Wanderley, da Superintendência de Controle de Endemias (Sucen).
Uma idéia, diz Folegatti, é permitir que capivaras encontradas fora de zonas protegidas sejam remanejadas para outras áreas. A caça do animal é considerada crime inafiançável. "A curto prazo, o mais importante é recuperar as matas ciliares."

OESP, 11/05/2004, p. A11

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