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Um ministerio para a Amazonia

CB, Politica, p.5
08 de Abr de 2005

Um ministério para a Amazônia
Embaixador defende criação de uma pasta própria para tratar dos problemas da região. A sede do novo órgão, em vez de ficar na Esplanada, seria instalada na cidade de Manaus
Matheus Machado
Da equipe do Correio
O secretário-geral do Ministério das Relações Exteriores, embaixador Samuel Pinheiro Guimarães, defendeu ontem a criação de um ministério para tratar especificamente dos problemas relacionados à Amazônia. Além disso, Guimarães afirmou que o governo deveria investir mais para desenvolver a região. As declarações do embaixador foram feitas durante um debate na Comissão de Relações Exteriores e Defesa Nacional (CRE), do Senado Federal.
Segundo Samuel Pinheiro, a Amazônia passa por uma situação complexa e o governo tem dificuldade para ajudar a região. Uma saída, segundo ele, poderia ser a criação de mais um ministério no governo Luiz Inácio Lula da Silva: o da Amazônia. Em vez de ocupar a Esplanada dos Ministérios, o novo órgão teria sua sede em Manaus, capital do estado. Isso poderia deixar as coisas mais fáceis. Até com relação ao acesso, o ministério já estaria lá”, disse.
Controvérsia
O embaixador Pinheiro Guimarães já é conhecido pelas opiniões polêmicas que defende. Em 2000, foi demitido do cargo de diretor do Instituto Brasileiro de Pesquisas em Relações Internacionais depois de defender a saída do Brasil das negociações da Área de Livre Comércio das Américas (Alca). No governo Lula, ganhou poder e espaço no Itamaraty, promovendo uma política externa de esquerda, que agradou aos setores radicais do PT e do governo.

Cobiça do exterior
A cobiça de países estrangeiros foi o principal debate da audiência pública A Internacionalização da Amazônia: Risco Real, ou Temor Infundado. Além do secretário-geral do Ministério das Relações Exteriores, embaixador Samuel Pinheiro Guimarães, participaram também da reunião o secretário de Política e Estratégia e Assuntos Internacionais do Ministério da Defesa, almirante-de-esquadra Miguel Ângelo Davena, o cientista político Clóvis Mazargão, da Universidade Cândido Mendes e o professor Armando Mendes, consultor da Organização das Nações Unidas (ONU) sobre a Amazônia.
O embaixador chegou a destacar as declarações feitas em fevereiro deste ano pelo ex-comissário da União Européia, Pascal Lamy, atual candidato a diretor-geral da Organização Mundial do Comércio (OMC). Segundo Guimarães, ao ser perguntado numa palestra sobre a possibilidade de internacionalização da Amazônia, Lamy teria dito que não se deve pensar em propriedade da região, mas em gestão coletiva. Assim que tomou conhecimento da declaração, o governo brasileiro fez uma nota de repúdio às declarações do ex-comissário.
Ataque
O almirante Miguel Davena foi ao debate representando o vice-presidente da República e ministro da Defesa, José Alencar, que não compareceu porque assumiu a Presidência com a viagem de Lula ao Vaticano. Mas, o que seria apenas uma explanação sobre a região, tornou-se um ataque contra o governo por causa da verba considerada pelo militar como minguada”.
Estamos tentando mandar mais homens para a região, fazer mais bases na região da fronteira, mas com o orçamento que recebemos fica complicado. É baixíssimo”, disparou Davena. Segundo o almirante, nos últimos 40 anos a presença de militares brasileiros na Amazônia passou de mil para 25 mil soldados. Além disso, a Marinha passou a utilizar 16 navios — antes eram apenas sete. (MM)

CB, 08/04/2005, p. 5

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