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Um manifesto com festa, para homenagear índios

OESP, Estadão Oeste, p. ZO 7
23 de Abr de 2004

Um manifesto com festa, para homenagear índios
Evento leva danças e debates para a Casa de Cultura do Butantã, no domingo

"Não é para comemorar o Dia do Índio, porque o Dia do Índio para nós é todo dia", avisa o pancararu Dimas Joaquim do Nascimento, de 35 anos, presidente da ONG Ação Cultural Indígena Pancararu, sobre o Manifesto com Festa das Comunidades Indígenas de São Paulo. O evento será realizado no domingo, das 9 às 17 horas, na Casa de Cultura do Butantã, no Jardim Peri-Peri, e está sendo organizado com o apoio da Subprefeitura do Butantã.
O objetivo é debater a situação das comunidades indígenas na cidade. Haverá uma mesa redonda com representantes dos grupos pancararu, guarani, cariri-xocó, fulniô, caingangue e terena. Entre os temas em debate estarão discriminação e desemprego.
Nascimento, que vive na Favela do Real Parque, na zona sul, já passou por essas duas situações: sofreu discriminação racial e atualmente está desempregado. Há 16 anos, como outros pancararus, ele deixou a aldeia em Pernambuco para trabalhar em São Paulo. Já foi segurança e auxiliar de limpeza, entre outras atividades. Enquanto não consegue colocação, faz supletivo e trabalha com a comunidade.
Outra questão em debate no encontro será a preocupação de resgatar a língua indígena, muitas vezes impedida de ser usada por motivos religiosos. "Nós, jovens, estamos correndo atrás desse tempo perdido", afirma Nascimento. Como o dia também será de festa, cada etnia apresentará danças típicas. Além disso, serão exibidos vídeos com a história das tribos.
A ONG surgiu há cerca de dois meses e serviu para oficializar o trabalho que já era desenvolvido entre os pancararus. "Futuramente, nós queremos abranger outras comunidades", diz Nascimento. A entidade também está desenvolvendo um projeto com o Senac para valorizar o artesanato produzido pelos representantes da etnia.
Mas, para funcionar plenamente, a entidade ainda precisa de equipamentos, como fax e computador, que o presidente espera conseguir por meio de doações. Quem quer ajudar pode entrar em contato pelo telefone 9958-7314.
(I.G.)

OESP, 23/04/2004, Estadão Oeste, p. ZO 7

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