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Um Kioto caboclo contra a miséria dos lixões

O Globo, O País, p. 15
20 de mar de 2005

Um Kioto caboclo contra a miséria dos lixões
ICMS Ecológico ajuda prefeituras

Enquanto começa a vigorar o Protocolo de Kioto, destinado a preservar o planeta, o Brasil vem praticando seu Kioto caboclo: um prêmio instituído por oito estados para municípios que implementarem ações de preservação do meio ambiente. O prêmio é o ICMS Ecológico, que rende benefícios financeiros para as prefeituras. Em Pernambuco, os repasses engordam em até 8% as receitas de municípios. Paraná, São Paulo, Minas Gerais, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Goiás e Tocantins têm o ICMS Ecológico.
Em Gravatá, a 80 quilômetros de Recife, funciona um aterro sanitário que custou R$500 mil. Por causa dele, a prefeitura recebeu R$2 milhões da cota do ICMS Ecológico. No lugar funcionava um lixão que poluía a cidade. Os 48 catadores, como Iracema de Aguiar, de 32 anos, disputavam espaço com ratos e urubus:
- Eu catava papelão, ferro e plástico. Tinha dia que os maloqueiros roubavam.
A empresa responsável pela construção do aterro, a Locarsa, cadastrou os catadores e 23 se candidataram a trabalhar como garis, já que a Locarsa também presta serviço de limpeza urbana à prefeitura. Iracema tem emprego formal, recebe R$327 e não esconde a alegria.
Hoje não é permitido acesso de nenhum catador ao aterro. Há oito pontos para receber o lixo já compactado. O chorume - líquido proveniente da decomposição de produtos orgânicos - vai para uma estação de tratamento. O lixo é enterrado depois de compactado. Segundo as secretarias de Meio Ambiente e da Fazenda de Pernambuco, município com catador de lixo não recebe ICMS Ecológico.
Ao contrário do que ocorre nos lixões tradicionais, em Gravatá não havia urubus no aterro. Quase vizinho ao aterro está sendo construído um condomínio de luxo. Ao redor da área foi implantado um cinturão verde com árvores nativas, como sabiá e juazeiro, e pés de eucalipto.

O Globo, 20/03/2005, O País, p. 15

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