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20 de Jan de 2010
No próximo domingo, dia 24 de janeiro, a Universidade Federal do Pará aplicará uma prova diferente. Paralelamente à realização da 2ª fase do Processo Seletivo Seriado 2010 da Universidade (PSS), 194 candidatos indígenas farão uma redação. A primeira avaliação para ingresso na Instituição, por meio dessas ações afirmativas, acontece das 8h às 13h, horário de Belém.
54 pessoas de oito etnias farão a prova no Bloco A do Campus Básico da Universidade, localizado na capital; 44 candidatos de seis etnias prestarão o exame em Altamira; 34 estudantes indígenas pertencentes a sete etnias diferentes deverão se dirigir ao Campus II da Universidade, em Marabá, no próximo domingo, e 62 pessoas de 16 etnias distintas farão a prova no Campus da UFPA, em Santarém.
Este ano, os indígenas disputam 112 vagas criadas, especificamente, para eles nos cursos em que houve inscrições. Ou seja, além dos 6.082 calouros que a UFPA receberá em 2010 pelo PSS, a Universidade terá, ainda, um número a mais de novos alunos que serão aprovados por meio de um Processo Seletivo Diferenciado, criado para se ajustar às especificidades dos povos indígenas, composto por uma redação e uma entrevista.
A antropóloga Jane Beltrão, coordenadora da Comissão de Avaliação do Processo de Seleção Diferenciada da UFPA (CAPSDU), aponta, nas diferenças existentes entre o sistema de ingresso e o tradicional, a atenção para a diversidade educacional e cultural deste grupo de candidatos. "Entendemos que esses estudantes possuem especificidades em relação aos outros porque são melhores oradores que escritores. E tanto a oralidade, quanto a expressividade são características culturais de que a Universidade tentará se apropriar para criar mecanismos de seleção mais acessíveis para o ingresso dessas populações na Instituição. Não podemos esquecer, também, as limitações e os desafios que a educação indígena, mesmo assegurada por lei, enfrenta".
A pesquisadora lembra que ainda são poucas as aldeias que possuem escola e, em todo o sul e o sudeste do Pará, por exemplo, apenas duas acompanham os alunos da 1ª série ao fim do ensino médio, o que obriga os estudantes a se deslocarem para os povoados e núcleos urbanos para concluir seus estudos.
"A educação não pode estar separada da 'cosmovisão' indígena da realidade e não pode ameaçar a língua indígena, nos casos em que eles ainda falam o idioma materno. Porém, por uma série de limitações, eles acabam tendo de frequentar uma escola não-indígena e de enfrentar os vários impasses e dificuldades que isso representa. A criação dessas vagas é uma tentativa de corrigir e adaptar regras que não estão adequadas para uma parcela dos nossos candidatos", defende a presidente da Comissão.
UMA AVALIAÇÃO DIFERENCIADA
A prova de Redação a ser realizada no dia 24 não terá um número mínimo ou máximo de linhas. "Partimos da perspectiva de que o português apropriado pelos indígenas é produzido sob a interferência de um idioma e uma cultura materna diferente da nossa. Por isso temos uma comissão de correção formada por especialistas em analisar esses marcadores que interferem na língua", revela Jane Beltrão.
(Diário Online/ Ascom UFPA)
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