Estação Vida-Cuiabá-MT
Autor: Josana Salles
02 de Mar de 2004
Só no Mestrado em Ecologia e Conservação da Biodiversidade já foram defendidos mais de oito estudos sobre os impactos da usina.
Os impactos ambientais provocados pela Usina Hidrelétrica de Manso, inaugurada em 2000 no rio Manso, principal afluente do rio Cuiabá, começam a apresentar sintomas no sistema hidrológico do rio Cuiabá e do Pantanal com impactos também sobre a vegetação e a fauna, principalmente peixes. Estas conclusões aparecem em diversas dissertações de Mestrado das universidades. Só no curso de Mestrado em Ecologia e Conservação da Biodiversidade da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT) já foram defendidas mais de oito teses onde foram feitos estudos sobre os impactos da usina. Na semana passada, Ricardo Keichi Umetsu apresentou a dissertação "Efeito da barragem de Manso sobre a inundação em matas primárias na bacia do rio Cuiabá". Os estudos foram realizados no rio Cuiabá em Rosário Oeste, onde existem dados hidrológicos de uma das réguas desde 1966. Este ponto fica logo após a junção dos rios Cuiabazinho e Manso.
O orientador e professor doutor Pierre Girard explica que os estudos comparativos das cotas do rio ao longo de mais de 100 anos demonstram que as cheias realmente eram importantes para a vegetação local pois são mais suscetíveis ao ambiente úmido. Com a existência da usina, construída principalmente para evitar enchentes na Baixada Cuiabana o sistema hidrológico se estabiliza a tendência é que a área de inundação diminua bastante. Pierre alerta que ainda será preciso muitos anos de estudos porque o sistema foi se modificando há apenas 4 anos. "É pouco tempo para conclusões, portanto são indícios", diz.
O fato é que somente com os estudos de cotas feito por Ricardo é possível focar melhor áreas para novos estudos onde poderá ser analisada as mudanças na vegetação e conseqüentemente na sobrevivência das espécies. A vegetação que margeia os rios, conhecida como mata ciliar é a responsável por evitar assoreamentos e em alimentar os peixes com frutos, raízes e folhas. Acompanhando estes estudos, o professor Pierre estará analisando no futuro os impactos da usina na planície de inundação do Pantanal, em Porto Cercado.
Ainda em fevereiro passado, a aluna Jane Simoni Silveira, orientada pela professora doutora Carolina Joana da Silva defendeu a tese sobre a percepção das mudanças naturais e antrópicas, pela comunidade denominada sítio Santa Rita, no município de Nobres e portanto a jusante da barragem do Manso. Os moradores entrevistados comentaram sobre as mudanças nas características ecológicas, uso da água e da biodiversidade associada ao sistema hídricos e as mudanças naturais e antrópicas do rio. A pesquisa é rica em detalhes sobre a situação dos rios formadores do rio Cuiabá e já existem problemas graves no encontro do Cuiabazinho com o Manso.
Silêncio de Furnas
Saber dos reais prejuízos de um grande empreendimento pode orientar melhor construtores, empresários e pesquisadores de como deve ser realizado.Mas para isso esses projetos precisam ser transparentes e obedecer às leis ambientais. Furnas Centrais Elétricas é uma empresa governamental e mesmo assim costuma não dar o exemplo.A sociedade dificilmente consegue obter informações do que está acontecendo e muito menos dos resultados de seus projetos. É o caso da APM Manso que divulgou 24 programas de meio ambiente e na área social para serem implantados na região de Chapada dos Guimarães. Os resultados dos trabalhos em relação aos impactos ambientais nos peixes, na fauna , no sistema climático nunca são divulgados. O material arqueológico recolhido nunca foi mostrado. A imprensa precisa de no mínimo uma semana para receber uma informação. Daí a importância de que as universidades façam estudos para analisar os problemas.
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