OESP, Economia, p. B11
26 de Mar de 2010
UE vê etanol brasileiro como solução
Estudo diz que europeus terão de importar produto do Brasil para cumprir a meta de ter 5,6% dos carros movidos por biocombustíveis
Jamil Chade,
Correspondente / Genebra
A União Europeia (UE) terá de importar etanol do Brasil se quiser atingir a meta de ter 5,6% de sua frota de veículos movida por biocombustíveis até 2020. A conclusão é da Comissão Europeia, que, em seu mais completo estudo sobre o tema, divulgado ontem, concluiu que a Europa não tem como produzir etanol suficiente para atingir a meta.
Além disso, se a UE tentar a autossuficiência, o impacto ambiental será grave. A estimativa dos europeus é que, até 2020, a produção de etanol no Brasil dará um salto de quase 140%.
Não se trata de uma decisão para começar a importar imediatamente. Mas observadores apontam que o documento é o aval que faltava para se avançar na abertura do mercado europeu ao etanol brasileiro.
Segundo o estudo, a melhor opção que a UE tem hoje para se abastecer é abrir seu mercado para o Brasil. A decisão resultaria num incremento de 4 milhões de toneladas para a produção brasileira até 2020, equivalente a 15%. E, se a liberação das tarifas de importação europeias for adotada, a produção brasileira terá um aumento de 5,8 milhões de toneladas (20%).
Em 2008, os 27 países do bloco chegaram a um acordo para garantir que, em 2020, 10% do combustível seja renovável na Europa. Desse total, 5,6% viria do etanol. Isso significa que a Europa terá de consumir 17,8 milhões de toneladas a mais de etanol em dez anos.
Ambientalistas. A proposta foi atacada por ambientalistas, que acusaram Bruxelas de estar estimulando a degradação ambiental e o aumento nos preços dos alimentos. Por isso, UE decidiu fazer um levantamento.
A conclusão é que um consumo europeu acima da taxa de 5,6% em 2020 de fato afetaria o equilíbrio ecológico no mundo. Mas não haveria risco para um volume até o teto de 5,6%.
O estudo técnico da União Europeia também conclui que a abertura de seu mercado será a melhor forma de lidar com o aumento da demanda. Com a concorrência estrangeira, principalmente brasileira, a produção europeia de etanol cairia 20% em dez anos.
Etanol nos EUA. O impacto da liberação para os Estados Unidos seria mais limitado. Não provocaria alta nas vendas acima de 2,1% e poderiam até perder espaço para o etanol brasileiro. Entre 2008 e 2020, a produção de etanol nos EUA crescerá 128%. O biodiesel americano terá aumento de 193%. No Brasil, a expansão do etanol será de 139%.
Mas, na União Europeia, há ainda quem alegue que uma abertura seria negativa para países em desenvolvimento, gerando desmatamento na Indonésia e Malásia, por causa do óleo de palma usado para produzir biodiesel.
Para entender
1.
Plano
Para cumprir a meta de redução de gases de efeito estufa, a União Europeia quer que 5,6% de sua frota de veículos seja movida por combustíveis renováveis até 2020
2.
Dilema
Os ambientalistas estão convencidos de que a expansão da frota de veículos movidos pelo etanol resultará num aumento tão grande da produção (140% só no Brasil) que reduzirá a área plantada com alimentos, causando grande aumento nos preços.
3.
Impacto
O impacto ambiental do etanol é nulo, uma vez que a cana absorve os gases que o etanol lança na atmosfera
Unica contesta relatório da Comissão Europeia
Cley Scholz
A Unica, associação que representa os produtores de etanol, contesta os dados da União Europeia. "Seria ótimo se fosse verdade, mas os erros são grosseiros", afirma a assessora internacional, Geraldine Kutas. Se a projeção do documento fosse correta, a Europa poderia passar a importar 4,5 milhões de toneladas de etanol a mais por ano. Isso significa cerca de 10% da produção do Brasil. O relatório indica que a produção aumentaria cerca de 15% para atender o mercado europeu. Para chegar a essa conclusão o relatório cita dados que a Unica contesta. O volume de importação de etanol pelo Brasil e todas as projeções de exportações do País são contestadas. A Unica também duvida dos cenários. "Vai ser muito difícil que a Europa elimine totalmente os subsídios", afirma Geraldine Kutas.
OESP, 26/03/2010, Economia, p. B11
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