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UE terá cláusula ambiental em seus acordos de comércio

OESP, Vida, p. A20
19 de Set de 2008

UE terá cláusula ambiental em seus acordos de comércio
Europeus também confirmam exigência de madeira importada certificada

Jamil Chade, GENEBRA

A Europa anunciou que vai exigir compromissos ambientais em todos os seus acordos comerciais a partir de agora e que já está redigindo uma lei que condicionará toda a importação de madeira de países tropicais, entre eles o Brasil, à apresentação de certificados ambientais.

Todos os acordos comerciais a partir de agora terão, ainda, de incluir metas relacionadas a mudanças climáticas.

A inclusão de cláusulas ambientais nos contratos de comércio sempre preocupou países emergentes, para os quais o assunto é manipulado pelos ricos para criar mais dificuldades às suas exportações.

Ontem, o comissário de Comércio da União Européia, Peter Mandelson, ressaltou que a vigência de critérios ambientais no comércio é irreversível para os europeus. "O mundo de um comércio desregulado pode ter conseqüências negativas para o meio ambiente. Mas esse não é o mundo que queremos", declarou Mandelson. "O mercado não é moldado apenas por interesses comerciais brutos. Os Estados podem regular o uso de recursos naturais e os cortes de emissões de CO2."

Os assessores do comissário, porém, ressalvaram que, no caso das negociações em curso para um acordo com o Mercosul, iniciadas sob um mandato sem condicionantes ambientais, seria politicamente complicado zerar o jogo agora e reiniciá-lo com toda uma série de novas e delicadas exigências.

Mas em áreas específicas, o Brasil pode sofrer impactos imediatos. "Na área de madeiras, estamos já trabalhando em uma legislação que vai criar obrigações para exportadores a fim de monitorar de onde veio a madeira. Isso visa a garantir que ela venha de fontes certificadas e legais e que as áreas são gerenciadas de forma responsável ambientalmente", afirmou Mandelson.

No início do ano, o Estado já havia divulgado o plano da UE de adotar cláusulas ambientais. Agora, Bruxelas confirma que o objetivo é concluir o pacote até o final do ano. Os europeus avaliam, ainda, a criação de selos ambientais para o etanol.

MUDANÇA CLIMÁTICA

Mandelson informou também que a UE vai usar as negociações comerciais para "incentivar a adoção de metas na área de mudanças climáticas".

As metas vinculantes de corte de emissões de dióxido de carbono (CO2), um dos principais gases do efeito estufa, é outro capítulo controverso na diplomacia internacional. Brasil, Índia e China alegam que não podem assumir compromissos porque isso poderia ser um freio à expansão econômica. Para os europeus, se os emergentes continuarem com o atual ritmo de emissões, os esforços de Bruxelas, Tóquio e Washington de corte de emissões não darão resultado.

OESP, 19/09/2008, Vida, p. A20

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