OESP, Negocios, p.B16
06 de Jul de 2005
UE suspende estratégia ambiental de longo prazo para impulsionar indústria
Os ambientalistas estão revoltados com uma decisão da Comissão Européia de engavetar sua estratégia ambiental de longo prazo, em meio a temores de que ela limitasse a cambaleante economia da Europa e destruísse empregos demais.
O presidente da Comissão, José Manuel Barroso, ordenou a suspensão da estratégia contra a poluição do ar depois de ver uma projeção mostrando que o programa, embora fosse ajudar a evitar 350 mil mortes prematuras por ano, custaria às empresas e aos consumidores quase 15 bilhões anuais.
Depois de uma turbulenta reunião entre membros da Comissão pró-ambientalistas e pró-empresários, Barroso ordenou ainda uma revisão de outras seis estratégias que seriam lançadas em breve, sobre qualidade da água, lixo, solo, recursos naturais, pesticidas e ambiente urbano. As estratégias, que levaram anos para ser preparadas, propõem políticas
ambientais que motivariam várias novas regulamentações.
"Tem de haver um equilíbrio entre os benefícios ambientais e os custos totais", disse a porta-voz de Barroso, Françoise Le Bail. Barroso, um liberal em questões econômicas, havia declarado antes que a UE j á fazia um bom trabalho de proteção do ambiente e precisava dar mais atenção à recuperação da economia. A suspensão das estratégias ambientais é uma vitória do governo britânico, que pedia à Comissão que parasse de criar regulamentações que prejudicam as empresas.
Tony Long, diretor de política européia do Fundo Mundial para a Natureza (WWF), mostrou-se contrariado com a decisão. "A mensagem política é que o ambiente não é uma prioridade para esta Comissão. É como se tudo o que cheirasse a política verde fosse ruim", disse. O WWF, os Amigos da Terra e o Greenpeace divulgaram uma carta conjunta aconselhando a Comissão a não se render aos "interesses do poderoso lobby empresarial". The Times
OESP, 06/07/2005, B16
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