O Globo, Economia, p.24
19 de Fev de 2005
UE reconhece direito do brasil à marca cupuaçu
Após quase dois anos de disputa, exportadores brasileiros não terão de pagar royalties à japonesa Asahi Foods
BRUXELAS. Os japoneses que nos desculpem, mas o cupuaçu é nosso. Se ainda havia alguma dúvida a esse respeito no mercado europeu, o Escritório de Harmonização para o Mercado Interno, instituição européia responsável por marcas e patentes, encarregou-se de desfazê-la: cancelou o registro da marca cupuaçu que havia sido feito pela empresa japonesa Asahi Foods.
A decisão põe fim a uma disputa de quase dois anos que vinha sendo travada entre o governo brasileiro e a companhia. A novidade permite que os exportadores brasileiros do cupuaçu ou de doces feitos com a fruta não precisem mais pagar royalties aos japoneses para vender seus produtos na Europa. Essa é a segunda derrota da Asahi Foods, que ano passado foi obrigada a retirar o pedido de patenteamento do produto feito no Japão.
Açaí e andiroba ainda estão com registros estrangeiros
A vitória do governo brasileiro abre caminho para outras decisões do mesmo gênero na disputa por nomes de frutos, sementes e árvores brasileiras das quais grandes empresas estrangeiras tentam se apropriar para garantir o seu mercado. Ao registrar a marca, todos os direitos passam a ser do seu dono. Estão nesta situação produtos como o açaí e a andiroba.
Dá satisfação saber que o princípio está sendo respeitado. É encorajador e coerente com as posturas européias de proteção da denominação de origem. A medida derruba um dos obstáculos às exportações dos pequenos produtores de cupuaçu brasileiros disse o chefe da Missão do Brasil junto a União Européia, embaixador José Alfredo Graça Lima.
A ação contra a empresa japonesa foi aberta pela missão brasileira no Escritório de Harmonização em abril de 2003, mas a decisão final só saiu semana passada. A Asahi Foods também terá de pagar as custas do processo. Segundo a instituição européia, ainda cabe recurso para os japoneses, que terão até dois meses para fazê-lo. Mas a expectativa é que a causa já esteja ganha. Entre os argumentos usados para recuperar o cupuaçu estão o fato de o nome ser um termo de domínio público e de o fruto ser típico de uma árvore da Amazônia.
Para o embaixador Graça Lima, este episódio pode acabar levando as empresas brasileiras a se interessarem por este mercado.
O Globo, 19/02/2005, Economia, p.24
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