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UE quer emissões de gases 20% menores até 2020

OESP, Vida, p. A34
10 de Mar de 2007

UE quer emissões de gases 20% menores até 2020
Fatia de energia renovável deve crescer de 6% para 20%

AP e EFE

A União Européia (UE) chegou a um acordo com metas "ambiciosas e dignas de crédito" para combater a mudança climática e as necessidades energéticas do bloco, disse a chanceler alemã, Angela Merkel, após uma reunião de líderes do grupo.

O acordo compromete a Europa com cortes obrigatórios na emissão de gases do efeito estufa e exige que um quinto da energia consumida no bloco venha de fontes "verdes", como painéis solares e turbinas de vento. Num gesto polêmico, o acordo reconhece o papel da energia nuclear no combate às emissões de gás carbônico.

"Esta é uma diferença qualitativa nova, em termos da questão das fontes de energia", disse Merkel, ao anunciar o plano, que requer que as emissões de gases do efeito estufa caiam, até 2020, em 20% em relação aos níveis de 1990, e que 20% da energia do bloco venha de fontes renováveis, uma elevação tremenda em relação ao nível atual, de pouco mais de 6%.

Contrariando um parecer científico recente, Merkel disse acreditar que ainda é possível evitar que a elevação global da temperatura supere os 2oC. "Podemos evitar o que poderá ser uma calamidade humana."

O presidente da Comissão Européia, José Manuel Barroso, afirmou que o acordo mostra que a Europa é capaz de dar passos firmes na questão do aquecimento global. "Podemos dizer ao restante do mundo: a Europa está assumindo a liderança, vocês deveriam se unir a nós para combater a mudança climática", disse.

Líderes europeus esperam que esses compromissos encorajem outros grandes poluidores, como os EUA e a China, a assumir corte profundos nas emissões de carbono. Merkel pretende apresentar o plano europeu nu ma reunião do G8, que engloba as sete principais economias industriais do mundo, e a Rússia. Além do plano de metas para o futuro, a cúpula européia geriu uma sugestão concreta para o combate ao aquecimento global: estimular o uso de lâmpadas mais econômicas.

Líderes da UE pedirão que seja criado um plano para promover o uso de lâmpadas fluorescentes, segundo o exemplo de países como o Chile e a Austrália, que estão eliminando as lâmpadas incandescentes.

"Precisamos dar às pessoas tempo para trocar todas as lâmpadas. Não estamos dizendo que elas têm de jogar todas as lâmpadas que têm em casa fora, mas todo mundo deveria começar a pensar no que está nas lojas", disse Merkel.

REPERCUSSÃO

A estratégia da União Européia foi recebida com elogios e ponderações. O secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, parabenizou os países em um comunicado divulgado por seu porta-voz. "O secretário-geral recebe com boas-vindas a decisão dos líderes da União Européia para estabelecer objetivos para a eficiência energética e o uso das fontes renováveis de energia", afirmou Michele Montas, porta-voz de Ban.

"Esse passo pode ajudar a colocar os sistemas de energia do mundo em um equilíbrio mais sustentável", complementou.

O Fundo Mundial para a Natureza (WWF) não poupou elogios, mas afirmou que as metas terão de vir acompanhadas de leis e medidas que garantam a obtenção dos objetivos fixados.

Avaliações

"As decisões estipuladas hoje (ontem) exigirão um grande trabalho por parte da UE para garantir seu cumprimento, mas ao mesmo tempo lhe situarão em uma clara posição de liderança em uma área crucial"

Tony Blair, primeiro-ministro do Reino Unido

"A UE se pôs novamente na vanguarda mundial liderando a batalha contra a mudança climática"

José Luis Rodríguez Zapatero, primeiro-ministro da Espanha

"As energias renováveis devem ser renováveis, e não outra coisa"

"Se atuamos hoje de forma decisiva, temos uma oportunidade de resistir de maneira efetiva aos perigos da mudança climática"

Angela Merkel, primeira-ministra da Alemanha

"As energias renováveis são apenas uma parte da resposta, e não serão suficientes para o alcance da meta de redução das emissões de CO2"

Jacques Chirac, presidente da França

OESP, 10/03/2007, Vida, p. A34

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