Valor Econômico, Internacional, p. A13
Autor: CHIARETTI, Daniela
09 de Dez de 2014
UE quer ação de emergentes no clima
Por Daniela Chiaretti | De Lima
"O mundo de 2015 e de 2020 não é o mesmo de 1990", disse Miguel Arias Cañete, o novo comissário europeu para mudança climática e energia na conferência do clima da ONU em Lima, a CoP-20. É um recado de que a Europa não aceita mais a divisão do mundo que originou o Protocolo de Kyoto, no qual só os países ricos tinham metas de corte de gases-estufa.
A necessidade de diferenciar os países quanto a compromisso, responsabilidade, demanda e capacidade de lidar com mudança do clima é um ponto de conflito da CoP-20. Os países ricos, por exemplo, querem a autodiferenciação, um caminho para terem os mesmos compromissos dos emergentes.
Cañete disse ainda que a visão da União Europeia "reconhece a necessidade de diferenciação. Mas não concordamos com a interpretação de como aplicar isso. Outra abordagem será necessária."
Ele elogiou a proposta brasileira dos círculos concêntricos, uma gradação que rompe a estrutura de diferenciação que existiu até agora nas negociações climáticas. "É um modo de se buscar um terreno comum num ponto controverso. Pode ser um passo adiante."
O outro ponto de conflito em Lima, na véspera da chegada dos ministros, é como devem ser feitas as contribuições nacionais. Os ricos querem que o assunto trate só da redução de gases-estufa, e os outros querem que inclua adaptação, finanças, tecnologia e capacitação.
Para a UE, a contribuição dos países deve se referir só à mitigação. "Porque as regras de mitigação são claras e fáceis de quantificar", seguiu Cañete. "Adaptação e financiamento têm que estar dentro de outros processos".
Todd Stern, enviado especial dos EUA para a mudança do clima, reforçou as posições europeias, mas de forma menos enfática. Foi vago ao responder sobre o risco de o Congresso americano, de maior republicana, rejeitar o acordo de Paris, a ser fechado em 2015, se ele for legalmente vinculante.
O Brasil quer que as contribuições nacionais abranjam mitigação, adaptação e financiamento.
A Índia disse que terá uma lei climática mais robusta nos próximos meses. Mas não dirá quando irá reduzir o pico de suas emissões como fez a China recentemente.
A jornalista viajou a Lima a convite da UNFCCC-Unep (ONU)
Valor Econômico, 09/12/2014, Internacional, p. A13
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