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UE propõe plano para baixar emissões até 2020

CB, Mundo, p. 26
24 de Jan de 2008

UE propõe plano para baixar emissões até 2020
Países do bloco terão que tomar medidas para cortar em 20% os gases do efeito estufa. Pacote ainda deve ser aprovado pelo Parlamento

Da Redação

A Comissão Européia (CE), braço executivo da União Européia (UE), anunciou ontem em Bruxelas um "plano histórico" com o objetivo de colocar o bloco na liderança das economias pioneiras na luta contra as mudanças climáticas. Com uma perspectiva de custo de 60 bilhões de euros por ano (cerca de R$ 156 bilhões) -média de 3 euros por cidadão europeu a cada semana - o pacote promete "ajustar a UE a uma economia amiga do ambiente". A meta é reduzir em 20% as emissões de gases causadores do efeito estufa até 2020 (em comparação com os níveis de 1990), além de elevar em 20% o uso de energias renováveis e aumentar o consumo de biocombustíveis no setor de transportes.

As medidas, no entanto, não agradaram boa parte das indústrias, principalmente as do setor energético, que são grandes emissoras de dióxido de carbono. Elas temem que a imposição de limites possa prejudicar sua competitividade frente a concorrentes de países que não tenham tais restrições. Além disso, a partir de 2013 as empresas terão de pagar pelas emissões. Por outro lado, o presidente da CE, Manuel Durão Barroso, reconheceu que as medidas terão um custo, mas "não são mau negócio".

"É certo, (as medidas) vão ter um custo administrável. E temos que comparar com o custo que teriam se nada fizessem", afirmou Barroso em defesa de seu pacote, definido por ele como "o mais completo do mundo". Diante desses ambiciosos objetivos, cada país assume metas diferentes para a redução de gases e para o uso das energias renováveis, de acordo com o Produto Interno Bruto (PIB) per capita. Assim, os esforços ficam divididos proporcionalmente entre as 27 nações do Velho Continente. Um país rico, portanto, terá de fazer mais reduções que uma nação em desenvolvimento. A Suécia, por exemplo, terá que cortar pela metade suas emissões, enquanto Alemanha e Itália devem atingir a meta de 18% até 2020 e o Reino Unido, 16%.

Como a proposta será submetida a aprovação no Parlamento Europeu, a negociação promete dar dor de cabeça à Comissão. O presidente da França, Nicolas Sarkozy, sinalizou que não será facilmente convencido. Na semana passada, ele enviou uma carta a Barroso advertindo contra a imposição de medidas que possam interromper o crescimento econômico. A França é o país que mais produz energia nuclear na Europa. Espanha e Alemanha também manifestaram insatisfação no que diz respeito à adoção de energias renováveis.

Ecologistas
O anúncio do pacote europeu também mexeu com as opiniões dos ambientalistas. A organização não-governamental Greenpeace defende que a UE deve reduzir suas emissões em no mínimo 30% até 2020. Os ativistas consideram os planos da Comissão Européia um "bom começo, mas insuficiente". "O pacote contém elementos progressivos mas uma inconveniência fundamental: a redução das emissões não chega a 30%", declarou Mahi Sideridou, diretora de políticas energéticas e climáticas da ONG. "Assim, os países estarão agindo menos que o necessário", acrescentou.

Em entrevista ao Correio, Alexander Woollcombe, porta-voz da Oxfam International considerou que o plano "não é ambicioso o suficiente". "O pacote é um passo encorajador na direção certa, mas não vai longe o bastante", afirmou Woollcombe. "Um corte de 30% nas emissões de gases pelos países europeus tem sido considerado o necessário para evitar aumentos desastrosos de temperatura, que podem chegar a mais 2 graus", concluiu o especialista.

De acordo com a assessoria de imprensa da EuBrasil - associação comercial entre UE e Brasil -, o novo plano abrirá novas oportunidades de colaboração. "O debate em torno do tema dos biocombustíveis é capaz de colocar a atenção sobre alguns atores, entre eles um dos principais produtores mundiais de biocarburantes, o Brasil", afirmou o comunicado oficial da associação.

CB, 24/01/2008, Mundo, p. 26

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