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Txucarramãe pede treinamento para servidores

Diário Catarinense-Florianópolis-SC
17 de fev de 2002

"Em alguns lugares, índio reclama que a Funasa toma conta da saúde para aumentar cemitério". A alfinetada é do caiapó Megaron Txucaramãe, administrador da Funai em Colíder. E ele já tem um diagnóstico para o problema: os profissionais de saúde não estão preparados para atender a população indígena.

Para Megaron, a Fundação Nacional de Saúde (Funasa), que há dois anos gerencia o atendimento no país, deveria treinar seus funcionários para lidar com a nova situação. "Atender índio é diferente de tratar em cidades, em hospitais", explica.

A opinião é compartilhada pelo coordenador geral de Direitos Indígenas da Funai, Marcos Terena. "Não existe uma política clara em relação à saúde", avalia, lembrando que a transferência de responsabilidade da Funai para a Funasa aconteceu sob promessas de muitos recursos do governo federal. "Realmente, foram contratados muitos médicos e enfermeiros, mas que não conhecem a realidade indígena", aponta.

A diferença está aí: segundo Terena, quando o setor estava nas mãos da Funai, os médicos moravam nas aldeias, o que lhes permitia conhecer o cotidiano de seus pacientes. Agora, ao invés dos profissionais de saúde irem até os índios, são os pacientes que precisam deslocar-se até as cidades, em busca de atendimento nas sedes dos municípios. Nas filas de postos e hospitais, além dos problemas habituais do setor de saúde do país, eles precisam enfrentar desafios adicionais, como a discriminação.

"Em alguns casos, as aldeias não têm como deslocar seus pacientes até a cidade", aponta o coordenador, acrescentando que "não basta estruturar a cidade; é preciso aproximar os médicos das aldeias".

O coordenador do Grupo de Trabalho Missionário Evangélico (GTME), Lúcio Flores, lembra que, na época de transferência de responsabilidades de uma fundação para outra, foi previsto um período de adaptação. Mas esta fase, a seu ver, já se arrasta por muito tempo. E soma-se às demais dificuldades da Funasa para dar conta da saúde indígena, o fato de que nem sempre os repasses financeiros chegam em dia para as organizações não-governamentais com quem tem parcerias.

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