Folha de Boa Vista-Boa Vista-RR
Autor: VANEZA TARGINO
28 de Jan de 2004
A maloca do Flexal iniciou no ano de 2002 a produção de feijão jaulão e naquele mesmo ano produziram cinco toneladas. No final do ano passado foram totalizadas nove toneladas que ainda está aguardando ser comercializada. O tuxaua, Lauro Barbosa explicou que a Funai (Fundação Nacional do Índio) está interferindo no escoamento da produção e acredita que todo o investimento ficará comprometido já que eles dependem de terceiros para comercializar.
Segundo ele, o feijão está pronto para empacotamento faltando apenas transportar e empacotar. Ele acusou a Funai de interferir na negociação quando a comunidade estava fechando negócio de venda para o Carrefour de Manaus (AM).
"A Funai não autorizou a negociação. Mas, uma vez desejam que os índios fiquem a mercê de suas decisões. Além, do Carrefour tentar comprar a nossa produção, impediram a Embrapa de fornecer a parte técnica e o Banco da Amazônia de tentar financiar, mas eles (Funai) interferiram", desabafou.
O tuxaua explicou que em toda a produção estão envolvidas 86 famílias que corresponde ao total de 600 índios. Para ele, o que está faltando é transportar o feijão para realizarem a venda. "Tudo com índio e nada para o índio é esse o lema da Funai. E com a homologação ficará mais difícil e ficaremos impedidos de qualquer negociação", afirmou.
Lauro Barbosa disse que a comunidade está tentando levar o feijão para ser embalado e posteriormente vendido direto para os mercados e supermercados da capital. "Essa produção foi independente e sem nenhuma verba Federal ou Estadual. Queremos agora vender o feijão para poder investir na próxima safra", esclareceu.
Ele explicou que a sua comunidade ainda tem esperança que a homologação em área contínua não ocorra. Segundo ele, o feijão continuará a ser plantado por mais que a homologação seja assinada da forma que o Governo Federal está impondo.
"A Funai não vai dar infra-estrutura para que as áreas indígenas possam se tornar produtivas após a homologação. Exemplo é a região do São Marcos que é homologada e não há produção e nem infra-estrutura para os indígenas. Por isso, peço ao nosso presidente da República que nos ouça e que isso não aconteça como estão determinando. Precisamos de estradas, precisamos manter as nossas famílias não queremos sair da nossa área e ser bandidos na cidade", desabafou.
AVISO - Barbosa disse que a Funai só serve para tomar o que é dos índios e que apenas mandam roubar, destruir e acabar com o Estado de Roraima. "Queremos que permaneçam os nossos municípios porque fomos nós que criamos. Quanto aos pelotões do Exército no local, os índios reivindicam sua permanecia, pois têm auxiliado em muitas circunstâncias para nós. E a quem interessaria a saída do Exército? A comunidade repudia a interferência de pessoas estranhas que transitam em grande número nas malocas, que são os estrangeiros. Bem vindo os estrangeiros e fora os brasileiros", advertiu
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