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Tuvalu sucumbe ao aquecimento

O Globo, Ciência, p. 40
15 de Jul de 2007

Tuvalu sucumbe ao aquecimento
Ilha do Pacífico Sul desaparece sob o mar diante da indiferença mundial

Kathy Marks
Do Independent

Aos 73 anos, Veu Lesa, morador de Tuvalu, não precisa de nenhum estudo científico para dizer que o mar está subindo. As evidências estão por toda parte. As praias de sua infância estão desaparecendo. Os cultivos agrícolas que alimentavam sua família foram envenenados pela água salgada. Em abril, ele teve que ser evacuado quando uma onda gigantesca invadiu sua casa.

Para Tuvalu, formada por recifes e ilhas de coral, o aquecimento global não é um perigo abstrato, é uma realidade diária. A pequena nação do Pacífico Sul, apenas quatro metros acima do nível do mar em seu ponto mais alto, pode simplesmente não existir mais dentro de algumas décadas. Sua população já está partindo: mais de 4 mil tuvaluanos vivem na Nova Zelândia e muitos dos 10,5 mil remanescentes planejam se juntar ao êxodo. Outros, no entanto, estão determinados a ficar e a lutar contra o avanço das ondas.

As perspectivas não são nada animadoras. Um medidor instalado no principal atol, Funafuti, mostra que o nível do mar sobe 5,6 milímetros por ano - o dobro da média global prevista pelo Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas (IPCC) da ONU. Ainda não há dados suficientes para que se estabeleça um prognóstico definitivo para a região, mas o número é alarmante, segundo especialistas, pois implica uma elevação de mais de meio metro até o fim do século.

A maioria dos moradores vive a apenas um ou dois metros acima do nível do mar. Dentre todas as nações de terras baixas ameaçadas pelo aquecimento global, Tuvalu tem se mostrado a mais ruidosa na arena internacional.
O país reconheceu de pronto a ameaça e sucessivos governos vêm fazendo um intenso lobby para colocar o mundo a par de sua situação.

A última geração a crescer na ilha

A pequenina nação se juntou às Nações Unidas e à Comunidade Britânica de Nações para garantir maior status político internacional e enviar diplomatas em missões pelo mundo. Mas Tuvalu logo percebeu que a comunidade internacional - particularmente as grandes nações industrializadas que lançam os maiores volumes de CO2 na atmosfera - não se importa.

- Eles nunca nos ouvem quando pedimos ajuda - afirmou Enate Evi, diretor do Departamento Ambiental. - Acho que eles só se importam com eles mesmos e suas vantagens econômicas.

Crianças de apenas 6 anos estudam o aquecimento global na escola.

- Minha terra natal vai afundar e não haverá lugar para eu viver - explica Vaimaila Teitala, de 12 anos, que provavelmente integra a última geração de crianças a crescer na ilha.

O Globo, 15/07/2007, Ciência, p. 40

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