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Turista tem de ter senha para cachoeira

OESP, Metrópole, p. C6
30 de jan de 2011

Turista tem de ter senha para cachoeira
Em Iguape, local que chegava a receber 3 mil pessoas por dia agora tem limite de 270. O mesmo ocorre em São Luiz do Paraitinga

Márcio Pinho

A Cachoeira do Paraíso, beleza natural da Reserva Ecológica da Jureia e uma das preferidas pelos turistas que viajam ao litoral sul, agora tem entrada restrita: só 270 pessoas podem entrar no local por dia. E com senha.
O número é bem menor do que os cerca de 3 mil visitantes que chegavam a comparecer ao local em dias de feriados prolongados.
O novo limite foi imposto no mês passado pelo governo do Estado, que administra o local por meio da Fundação Florestal. É uma resposta à decisão judicial que, atendendo a pedido do Ministério Público, lembrou que a Jureia é uma estação ecológica, não produto de exploração turística. Sendo assim, não pode sofrer com o excesso de visitantes.
Trata-se também de uma das duas cachoeiras em áreas estaduais que sofrem restrição. A outra fica no Parque Estadual da Serra do Mar, em São Luiz do Paraitinga. Lá, onde a presença de turistas também costumava ser maciça, só 200 pessoas podem agora entrar por dia, divididas em grupos.
Na Cachoeira do Paraíso - que fica em Iguape, mas tem acesso por Peruíbe -, a entrada também é dividida. São quatro turnos por dia, dois pela manhã e dois à tarde. Quem consegue entrar tem duas horas para aproveitar a queda d"água de seis metros de altura, com poço de águas cristalinas ricas em diferentes espécies de peixes. Depois, tem de dar a vez a outro grupo. Os ingressos são distribuídos na própria Jureia, no km 14 da Estrada da Barra do Una (Trevo do Itinguçu).
Polêmica. Entre os frequentadores, a restrição já virou polêmica. A maioria ficou indignada por ser "barrada" no local. Para Márcio Nobre, de 20 anos, por exemplo, a medida foi "desnecessária". Frequentador assíduo da região, ele não conseguiu senha para a cachoeira em um dos dias deste verão e acabou regressando para Mongaguá, onde estava hospedado, sem visitá-la. "Estive aqui em outras temporadas e todo mundo conseguia se divertir sem confusão. Não precisava restringir."
Para Marcelo Zwarg, outro frequentador antigo da Cachoeira do Paraíso, a decisão não faz sentido e apenas reflete a falta de interesse do governo em criar estrutura no local. Já os comerciantes dos cerca de 20 bares do entorno temem perder o negócio. Sebastião Lima, de 80 anos, por exemplo, tem bar ali há 40 e conta que, antes de a região virar estação ecológica, na década de 1980, a cachoeira já era ponto de visitação.
Mas há também quem apoie a decisão. Roberto Nicácio, coordenador da Estação Ecológica da Jureia-Itatins, afirma que a queda d"água tem mais vocação para pesquisa e educação ambiental do que para turismo. "Com 270 pessoas por dia, é possível haver um controle da informação passada ao visitante, que passa a conhecer mais sobre o bioma da região." Quem chega à cachoeira hoje assiste a um vídeo sobre detalhes e serviços do local.
Quem também vê benefícios na restrição é o frequentador Ademir Brito, de 48 anos. "Antes ficava muita muvuca. Não dava para aproveitar."
A entrada com senhas ainda pode acabar com um problema. Já foram registradas no local 18 mortes, em geral de turistas que bateram a cabeça ao escorregar no tobogã - nome dado à queda d"água. Alguns possivelmente embriagados.

Opções de todo tipo estão espalhadas pelo litoral
Boa parte das quedas d'água paulistas fica dentro de parques ou estações ecológicas, no 'pé' da Serra do Mar

As cachoeiras espalhadas pelo litoral de São Paulo são uma boa opção para quem quer fazer um programa diferente neste verão. Trocar a água salgada pela doce é possível em várias cidades, a começar pelo extremo sul do litoral. Em Cananeia, uma trilha de 800 metros após um passeio de barco leva até a Cachoeira Grande, uma das atrações do Parque Estadual da Ilha do Cardoso.
Outras atrações também estão no "pé" da Serra do Mar, em parques ou estações ecológicas. E há ainda opções dentro de propriedades particulares.
Também no litoral sul, destaca-se o Poço das Antas, que recebeu esse nome porque índios que habitavam a região acreditavam que as pedras do local lembravam o animal.
No litoral norte, Ilhabela também é um paraíso para fãs de cachoeiras. São mais de 300 espalhadas por toda a ilha. As mais conhecidas são a da Toca, do Gato, da Laje Preta, do Veloso, além da Três Tombos, da Friagem, do Ribeirão e da Zubamba.
A regra número um para se divertir nesses locais é passar protetor contra borrachudos. Algumas localidades oferecem gratuitamente óleo de citronela, que permanece por bastante tempo na pele. Outros cuidados são não mergulhar sem saber a profundidade e ter cuidado com pedras, mais escorregadias do que pontos onde há areia.

OESP, 30/01/2011, Metrópole, p. C6

http://www.estadao.com.br/estadaodehoje/20110130/not_imp672872,0.php
http://www.estadao.com.br/estadaodehoje/20110130/not_imp672873,0.php

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