OESP, Economia, p. B9
01 de Dez de 2007
Três consórcios vão disputar leilão do Rio Madeira
Eletronorte e grupo liderado pela Alusa não depositam garantias previstas no edital e ficam fora da briga
Leonardo Goy
Em apenas sete dias, a estatal Eletronorte conseguiu surpreender duas vezes o setor de energia. A primeira foi na semana passada, ao se inscrever para participar sem parceiros do leilão da usina hidrelétrica de Santo Antônio, no Rio Madeira. A segunda foi ontem, ao desistir de participar da disputa. A estatal não depositou as garantias financeiras previstas no edital.
A Eletronorte não foi a única baixa na relação dos interessados. O consórcio privado liderado pela Alusa - ao qual, inicialmente, a estatal se associaria - também desistiu do leilão, marcado para 10 de dezembro.
Assim, a usina será disputada por apenas três consórcios: Madeira Energia (Odebrecht Investimentos em Infra-estrutura, Construtora Norberto Odebrecht, Andrade Gutierrez, Cemig, Furnas e fundo Banif/Santander); Consórcio Energia Sustentável do Brasil (Suez e Eletrosul); e Consórcio de Empresas Investimentos de Santo Antônio (Camargo Corrêa, Chesf, CPFL Energia e Endesa do Brasil).
A Alusa (Alupar Investimentos) entraria no leilão junto com as Indústrias Metalúrgicas Pescarmona, a Schahin Holding, UTC Engenharia e a Schahin Engenharia. Na avaliação de algumas fontes do mercado, o fato de a Eletronorte ter deixado o consórcio, na semana passada, pode ter pesado na decisão do grupo de não confirmar sua participação na disputa.
Uma fonte do setor elétrico que acompanha de perto a movimentação para o leilão disse que a saída da Eletronorte mostra que o governo percebeu que a entrada isolada da empresa estatal no leilão "era um sinal horrível para o mercado". Na avaliação desse executivo - que trabalha para uma das empresas que estão na disputa - o governo quis "testar" a concorrência ao inscrever a Eletronorte para entrar na leilão sem parceiros.
"Depois, imagino que o governo viu que aquilo não era necessário e, pior, que o mercado não gostou da iniciativa, que tinha um forte viés estatizante."
Para ele, a participação da Eletronorte sozinha seria uma demonstração de desconfiança do governo em relação aos demais interessados. "Colocar a Eletronorte para tentar baixar os preços era um sinal estatizante e de desconfiança."
SEM SENTIDO
A ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, disse que não faria sentido a Eletronorte disputar sozinha a concessão da hidrelétrica de Santo Antônio, pois isso seria contrário ao modelo defendido. "Do ponto de vista do governo, não faria o menor sentido a Eletronorte entrar sozinha no leilão, porque o nosso modelo de leilão é público e notório: é parceria público-privada", disse a ministra.
"Ela (Eletronorte) acreditava que poderia recompor a parceria (com a Alusa)", disse. "Não foi possível." A ministra participou da solenidade de comemoração ao primeiro ano de operação do Parque Eólico de Osório, no litoral norte gaúcho.
OESP, 01/12/2007, Economia, p. B9
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