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As travas do desenvolvimento (3)

O Liberal-Belém-PA
Autor: Armando Soares
23 de ago de 2004

"As travas do desenvolvimento", é bom lembrar, está sendo produzido para ajudar pessoas a entender porque o desenvolvimento da Amazônia está travado e qual a participação da política ambiental brasileira nesse processo, criada por estrangeiros e adotada pela esquerda brasileira e por ONGs para tirarem proveito político e financeiro.

O Programa Piloto de Conservação da Floresta Amazônica do G-7, grupo dos sete países mais ricos do mundo, precisava de ícones para seu sucesso e adoção. Os seringueiros do Acre, que iniciavam movimento para impedir o avanço de montagem de fazendas de gado que tiravam o seu meio de sustento - a extração do látex e preparo de borracha -, em razão de uma política pública setorial equivocada, vieram de encontro a esse objetivo, dando início a todo um imaginário, fazendo do seringueiro um herói da floresta.

Em 1987, o representante dos seringueiros, financiado com recursos dos países ricos, foi a Washington para protestar contra o financiamento da ampliação da BR-364. No mesmo ano, o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), sem maior avaliação, suspendeu o pagamento de recursos para a construção da estrada. O G-7, através de um ator nativo de grande força de apelação - o seringueiro -, dava início a uma interferência concreta nos negócios amazônico-brasileiros, com a promessa de internar vultosos recursos. As reservas extrativistas, todas as reservas, a política ambiental, o exército de ONGs e o desmantelamento da estrutura do modelo de desenvolvimento criado pela "Operação Amazôncia" têm aí sua origem.

Nos anos 80, os chamados povos indígenas conseguiram, com ajuda de estrangeiros, articular melhor suas ações. Foram formadas organizações próprias (UNI e Coiab), as quais participaram ativamente das discussões sobre a nova Constituição de 1988. Com apoio da igreja marxista e ajuda internacional, lutaram contra o projeto da barragem do Xingu.

A pressão estrangeira se fazia sentir cada vez com maior intensidade na Amazônia. A Alemanha, dentro do G-7, era o país que mais se destacava em ações para paralisar os projetos para o desenvolvimento da Amazônia. Novos grupos surgiram sobre o tema Floresta Tropical, Campanha pela Vida na Amazônia, Proó-Floresta Tropical e Grupo de Trabalho de Proteção às Espécies e a Floresta Tropical (ARA). Seus tentáculos estão ativos, inclusive na UFPA.

O Plano de Florestas Tropicais (Tropical Forestry Action Plan - TFAP) foi na realidade a primeira tentativa de tirar proveito político de florestas, em 1986. O plano foi uma tentativa, sem obrigações do ponto de vista do direito internacional, para definir estratégias setoriais para uma política florestal, assim como base de uma política internacional para as florestas tropicais. O TFAP realizou esforços para tornar as florestas tropicais (leia-se Amazônia) objeto de política internacional. A prova especial do governo alemão na questão das florestas tropicais (Amazônia) é o Relatório sobre a Floresta Tropical, apresentado em 1990.

Foi de iniciativa do chanceler alemão, Helmut Kohl, na reunião do G-7, em 1990, em Houston, um plano para a proteção das florestas tropicais da Amazônia brasileira. No encontro, os países do G-7 declararam as seguintes intenções: "Estamos determinados a agir para aumentar a conservação de florestas, ao mesmo tempo protegendo as já existentes e reconhecendo o direito soberano de todos os países em usar seus recursos naturais. [...]. Acolhemos com satisfação o compromisso do Governo Brasileiro em ajudar a cessar esta destruição e a prover um manejo florestal sustentado. Apoiamos ativamente este processo e estamos prontos a cooperar com o Governo Brasileiro num amplo Programa Piloto para contrapor-se à ameaça que as florestas tropicais vêm sofrendo neste País".

Depois do encontro de Houston, o governo brasileiro desenvolveu junto ao Banco Mundial e à CEE uma primeira versão do Programa Piloto. Em outubro de 1990 foi criada uma comissão interministerial para elaboração do programa. A comissão redigiu uma proposta que deveria ser votada na reunião de cúpula do G-7 em junho de 1991.

Teve assim início o processo de imobilização do desenvolvimento da Amazônia, condição sine qua non para guardar as riquezas da região para posterior exploração do G-7; a origem de uma legislação ambiental voltada contra o desenvolvimento e o bem-estar do homem amazônida; a origem do domínio da esquerda do movimento ambientalista na Amazônia, que culmina com o modelo de zoneamento ecológico-econômico, tudo em troca de dinheiro. Se alguém tem dúvidas a respeito da nocividade do modelo ambientalista imposto à Amazônia, é só sair às ruas de Belém e percorrer o interior do Pará. A visão da pobreza e do subdesenvolvimento não deixa nenhuma dúvida. A devastação econômica provocada na região nesses últimos trinta anos é muito maior que as guerras que estão acontecendo em outras partes do mundo.

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