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Transposição do Paraíba entra no PAC

OESP, Metrópole, p. E2
24 de Jan de 2015

Transposição do Paraíba entra no PAC

TÂNIA MONTEIRO, RICARDO DELLA COLETTA, VICTOR MARTINS E LAÍS ALEGRETTI - Estadão Conteúdo

O governo federal prepara ações de apoio aos Estados para ajudar no enfrentamento da crise hídrica. A ministra do Meio Ambiente, Izabella Teixeira, afirmou ontem que a União dará total apoio, com medidas técnicas e apoio financeiro às obras emergenciais. "Não teremos limites de esforços no apoio para assegurar abastecimento de água", declarou, após reunião de seis ministros na Casa Civil da Presidência. Esse encontro analisou a situação, considerada "crítica", dos reservatórios nos Estados de São Paulo, Minas e Rio. Izabella, destacada como porta-voz do encontro, declarou que o abastecimento de água no Sudeste é "sensível e preocupante", em particular no Estado de São Paulo. "O que vem ocorrendo no Sudeste é totalmente atípico. (Os níveis dos reservatórios) estão abaixo do ano passado e muito aquém do que é registrado desde a década de 1930", afirmou a ministra, que fez ainda um apelo à população para que poupe água e energia.
Uma campanha nacional sobre o uso racional da água deverá ser preparada. Como primeira ação, o governo decidiu incluir no Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) uma obra que promete aumentar a disponibilidade de água no Sistema Cantareira e beneficiar a Grande São Paulo.
O projeto de transposição da bacia do Paraíba do Sul para o Cantareira tem investimento de R$ 830,5 milhões e será executado pela Companhia de Saneamento Básico do Estado (Sabesp). O Estado apurou ainda que na reunião foi feito um relato informando que não há previsão de chuva nos reservatórios dos três Estados e se apresentou um diagnóstico dramático.
De acordo com informações de participantes do encontro, se os níveis de chuva permanecer como estão em São Paulo, sem melhorar o volume dos reservatórios que abastecem a cidade, e se o consumo continuar no nível que está hoje, da ordem de 20 m³ por segundo, em três ou no máximo quatro meses haverá risco ao abastecimento de água no Estado. Para tentar evitar que a situação chegue a esse ponto e possa comprometer a situação de geração de energia, principalmente do Rio, cada ministério estudará propostas para serem apresentadas em uma próxima reunião no Planalto, na quarta-feira.
Com essas propostas aprovadas pela presidente, serão chamados os governadores dos três Estados para que apresentem os planos de contingência de que dispõem e, juntos, possam construir uma ação para diminuir os prejuízos à população. A ministra evitou falar sobre o limite dos reservatórios. Questionada se poderia haver racionamento, afirmou que só quem opera os sistemas e pode dar esse tipo de determinação são os governos estaduais.
Aula suspensa
Conforme apurou a reportagem, o governo avaliou também os impactos da forte estiagem na irrigação, que poderá atrapalhar a produção agrícola e até a indústria, trazendo prejuízos ao País (mais informações na página E3). Até um planejamento de redução de fornecimento de água, em caso de agravamento da crise, foi tratado no encontro. Há uma decisão, no entanto, de que hospitais e residências serão preservados. Caso haja necessidade de escalonamento de consumo, uma das medidas poderia ser readequação de horários de aula e, em último caso, até sua suspensão.

Rio mira em 5 indústrias para reduzir captação

RIO - O governo do Rio estuda reduzir ou até mesmo cortar o fornecimento de cinco grandes indústrias de Santa Cruz, na zona oeste da capital, para preservar o abastecimento humano, ameaçado pela crise hídrica que afeta a região sudeste. Além da Companhia Siderúrgica do Atlântico (CSA) e da Gerdau, citadas anteontem pelo secretário do Ambiente, André Corrêa, outras três integram a lista: Fábrica Carioca de Catalisadores (FCC), da Petrobrás, Usina Termelétrica de Santa Cruz, de Furnas, e Casa da Moeda do Brasil.
"Vamos ter uma reunião com essas empresas na semana que vem. Acredito que uma medida extrema como o corte do fornecimento ainda não será necessária", disse Corrêa ao Estado. Juntas, as cinco indústrias comprometem cerca de 15% da vazão do Rio Guandu, que abastece a região metropolitana, segundo técnicos do setor hídrico. Elas não consomem toda essa quantidade, mas a Companhia Estadual de Águas e Esgotos (Cedae) alega que precisa levar para o canal de São Francisco, que deságua na Baía de Sepetiba, um volume maior que o necessário para a captação, com o objetivo de evitar a entrada de água do mar no canal, um problema frequente.
As opções para as empresas são dessalinizar água do mar, um processo caro, ou comprar água de reúso da Cedae, mas para isso seria necessário construir uma adutora. O governador Luiz Fernando Pezão (PMDB) voltou a negar a hipótese de racionamento para a população, mas afirmou que "diversas empresas estão sendo alertadas há dois anos para fazerem novas captações e algumas obras por causa da estiagem". Na véspera, Corrêa havia declarado que "empresas que já deveriam ter feito o dever de casa podem ser prejudicadas".
O coordenador de segurança e meio ambiente da FCC, Abílio Faia, reconhece que o eventual corte "é um cenário bem real" por causa da crise, mas afirma que "o abacaxi não é só das empresas". "O plano da bacia do Guandu já tinha a indicação de solução com a construção de uma adutora, mas são 14 km de obras, com necessidade de desapropriação de terrenos, não é uma coisa simples que as empresas podem fazer sozinhas." Segundo ele, já houve redução do volume de água por conta da estiagem, o que aumentou a salinidade no ponto de captação.
Pela legislação, a Secretaria do Ambiente pode cassar a qualquer momento a autorização para captação. A Casa da Moeda informou que tomou recentemente duas medidas para economizar água, entre elas um sistema que reaproveita 95% da água da solução de limpeza usada em um dos processos de fabricação das cédulas de Real. A Gerdau alegou que "o pequeno volume de água captado pela usina não impacta a distribuição de água para consumo humano".
A CSA informou que reaproveita 96% da água utilizada em seu processo industrial e que o ponto de captação é o último do Guandu, "não impactando em nada o abastecimento para a população". A empresa acrescenta que "adotou um plano que reduziu em 20% a captação junto ao Canal do São Francisco". Furnas informou que está "estudando alternativas para o caso de redução da vazão da água do canal".
Pesquisa realizada pela Federação de Indústrias do Estado do Rio (Firjan) entre outubro e novembro mostra que 30,6% das 487 empresas ouvidas enfrentavam problemas por causa da escassez de água. "Se não enfrentarmos seriamente a questão do saneamento, buscarmos novas fontes e tecnologias e estimularmos a população e as empresas a economizar água, a região metropolitana pode enfrentar o mesmo problema atualmente vivido por São Paulo", disse Luis Augusto Azevedo, gerente de Meio Ambiente da Firjan.
Na quarta-feira, 21, o nível do reservatório de Paraibuna, o maior dos quatro que abastecem o Rio, chegou a zero pela primeira vez desde 1978, quando foi inaugurado, e a captação avançou sobre o volume morto. Essa reserva de 2,1 trilhões de litros duraria cerca de seis meses, segundo Corrêa. Ele admitiu a possibilidade de racionamento se não chover o necessário nesse período. Apesar de afirmar que não há risco de racionamento, Pezão disse que estão sendo estudadas medidas de emergência como o aproveitamento para indústrias da água de reúso da estação de tratamento de esgoto da Alegria e o uso do reservatório da represa de Ribeirão das Lajes, em Piraí, que está sendo poupado e poderia abastecer a capital "por uns três meses".
O governador disse que vai "começar uma grande campanha para as pessoas não desperdiçarem água". Ele afastou a possibilidade de o governo adotar a proposta defendida por Corrêa de mudar o modelo de cobrança pelo uso da água, com desconto para quem consome menos e sobretaxa para quem consome mais. "Não é uma medida que vamos tomar este ano. Nesse momento não é necessário." / COLABORARAM MARIANA DURÃO E LUCIANA NUNES LEAL

Minas também pedirá verba para Dilma

Marcelo Portela
BELO HORIZONTE

O governo de Minas vai pedir ajuda à União para tentar reduzir a extensão da crise hídrica no Estado. O chefe do Executivo mineiro, Fernando Pimentel (PT), já conversou ontem com a presidente Dilma Rousseff e com o ministro da Integração Nacional, Gilberto Occhi, e vai reunir-se com a presidente na próxima semana para apresentar os projetos que vão necessitar de recursos.
Ao mesmo tempo, o Executivo estadual estima que em 30 dias estarão prontas as medidas legais para cobrança de sobre taxa de quem não reduzir o consumo. Na quinta-feira, a direção da Companhia de Saneamento de Minas (Copasa) havia adiantado que, em no máximo quatro meses, será necessário adotar um racionamento de água.
Segundo a Copasa, é necessária uma redução de 30% no volume consumido por todos os setores. Para o governador, essas são ações imediatas, mas haverá medidas de "curto, médio e longo prazo, visando a equacionar de forma definitiva a questão do abastecimento de água". Na próxima semana, o Executivo deve publicar decreto com a criação de uma força-tarefa para coordenar as ações.
Entre os projetos para os quais o petista vai pedir ajuda ao governo federal está, por exemplo, a mudança dos pontos de captação de água do sistema do Paraopeba, o principal de abastecimento da região metropolitana da capital. Segundo a Coordenadoria Estadual de Defesa Civil (Cedec), 109 cidades mineiras estão em situação de emergência por causa da seca.

OESP, 24/01/2015, Metrópole, p. E2

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