OESP, Geral, p.A11
18 de Mai de 2004
Transgênicos são bons, mas beneficiam poucos, diz FAO Órgão da ONU atesta segurança, mas cobra mais tecnologia para produtos de subsistência
WASHINGTON - A Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO) publicou ontem um posicionamento oficial sobre a biotecnologia e os alimentos transgênicos. Segundo a agência, não há indício até agora de que as plantações geneticamente modificadas tragam qualquer efeito nocivo para a saúde ou para o meio ambiente. As variedades transgênicas, diz o relatório, têm beneficiado pequenos agricultores e consumidores em alguns países, mas ainda é preciso expandir a biotecnologia para culturas menores, além das atuais commodities de multinacionais.
O maior problema com a transgenia, segundo a FAO, é que ela até agora beneficiou apenas produtos do grande agronegócio. "A FAO acredita que a biotecnologia, incluindo a engenharia genética, pode beneficiar os pobres, mas esses ganhos não estão garantidos", disse o diretor-geral assistente do departamento econômico e social da entidade, Hartwig de Haen. "A comunidade internacional precisa agir decisivamente para garantir que essa tecnologia seja acessível e útil para os pobres."
Para o diretor-geral da FAO, Jacques Diouf, nem o setor privado nem o público têm investido o suficiente em culturas básicas como mandioca e sorgo, ou mesmo arroz, trigo e batata. A entidade nota que apenas seis países (Argentina, Brasil, Canadá, China, África do Sul e Estados Unidos), quatro culturas (milho, soja, canola e algodão) e duas características (resistência a insetos e resistência a herbicidas) respondem por 99% da área global plantada com transgênicos atualmente.
O relatório, O Estado dos Alimentos e Agricultura 2003-2004, de 200 páginas, foi divulgado ontem em Washington e Roma. Apesar das cobranças, o documento coloca a FAO definitivamente no lado favorável aos transgênicos, rejeitando explicitamente o posicionamento de grupos ambientais que exigem a proibição da tecnologia. "Até agora, naqueles países em que variedades transgênicas são cultivadas, não há nenhum relato confirmado de qualquer dano significativo à saúde ou ao meio ambiente", diz o relatório. "Pelo contrário, benefícios ambientais e sociais importantes estão emergindo."
Um dos exemplos destacados é o da China, onde mais de 4 milhões de pequenos produtores passaram a plantar algodão transgênico com resistência a insetos.
A produtividade, segundo a FAO, aumentou 20%, enquanto o custo com pesticidas caiu 70%. Apesar de a maior parte das sementes ser de empresas privadas, "são os produtores e os consumidores que estão colhendo a maior parte dos benefícios econômicos dos cultivos transgênicos", diz o relatório.
O que não significa que a FAO tenha dado carta branca para a biotecnologia.
Apesar de estar segura sobre a segurança alimentar dos produtos existentes, a agência reconhece que há divergências sobre os efeitos a longo prazo no meio ambiente - algo que deve ser minuciosamente monitorado. Cada produto transgênico, segundo o relatório, deve ser avaliado caso a caso. (The Washington Post, AP e Reuters)
OESP, 18/05/2004, p. A11
As notícias aqui publicadas são pesquisadas diariamente em diferentes fontes e transcritas tal qual apresentadas em seu canal de origem. O Instituto Socioambiental não se responsabiliza pelas opiniões ou erros publicados nestes textos. Caso você encontre alguma inconsistência nas notícias, por favor, entre em contato diretamente com a fonte.