OESP, Geral, p.A9
07 de Jan de 2004
Transgênicos: preços foram manipulados? Documentos mostram que Monsanto e Pioneer acertaram valores mais altos
DAVID BARBOZA The New York Times
ST. LOUIS, EUA - Altos executivos das duas maiores empresas de semente do mundo encontraram-se rotineiramente em meados dos anos 90 e concordaram em cobrar preços mais altos por sementes geneticamente modificadas, segundo ex-executivos das companhias, documentos de tribunais e outras fontes.
As empresas Monsanto e Pioneer Hi-Bred International confirmaram que seus representantes fizeram reuniões para falar sobre sementes transgênicas. A Monsanto também confirmou que a questão dos preços foi discutida, mas disse tratar-se de negociações legítimas sobre mudanças de um contrato de licenciamento, e não de manipulação ilegal de preços.
Documentos e entrevistas com ex-executivos e funcionários atuais de grandes empresas de sementes, entretanto, revelam que, ao longo da década, a Monsanto tentou controlar o mercado de soja e milho geneticamente modificados. A empresa gastou bilhões de dólares nos anos 80 para inventar as sementes transgênicas e vendeu os direitos da tecnologia para grandes produtores, como a Pioneer.
Mais de uma dúzia de especialistas ouvidos pelo jornal The New York Times disseram que se o objetivo das conversas entre os rivais era limitar a competição de preços, houve violação das leis antitruste. As conversas, entre 1995 e 1999, envolveram licenças para que a Pioneer vendesse sementes transgênicas desenvolvidas pela Monsanto. Nesses encontros, as empresas discutiram preços, compartilharam projeções de lucros e até falaram sobre cooperação para manter elevados os preços das sementes.
Participaram executivos do alto escalão das duas empresas, incluindo Robert Shapiro, executivo-chefe da Monsanto na época, Charles Johnson, executivo-chefe da Pioneer, e Robert Fraley, atual chefe de tecnologia da Monsanto. Juntas, elas controlam cerca de 60% do mercado de sementes de milho e soja nos EUA, que soma US$ 5 bilhões. As empresas negam as acusações sobre controle de preços.
OESP, 07/01/2004, p. A9
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