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Transgenicos impactam ambiente

GM, Meio Ambiente, p.A7
29 de jun de 2004

Transgênicos impactam ambiente
Brasília, 29 de Junho de 2004 - Cientista ligado ao governo chinês alerta contra "poluição genética". Dayuan Xue, um dos cientistas-chefe do Ministério do Meio Ambiente da China, está no Brasil nesta semana para discutir a questão da biossegurança com a comunidade científica e representantes do governo federal brasileiro.
Atualmente, o país asiático não permite o plantio da soja geneticamente modificada, em função de ser o maior centro de origem e diversidade do grão, com 22 mil variedades. "Uma das grandes preocupações é com a germinação ou contaminação acidental, que poderia ter um impacto significativo sobre os recursos genéticos e a produção da soja não transgênica na China", informa Xue.
O país permite, no entanto, a importação do grão para o processamento de alimentos, pois não tem produção suficiente para atender a demanda interna. Das cerca de 40 milhões de toneladas de soja consumidas, mais da metade é importada dos Estados Unidos, do Brasil e da Argentina.
Mas a China começa a apertar o cerco também nesta área. Desde abril, todos os carregamentos do grão que chegam nos portos precisam estar identificados se são ou não organismos geneticamente modificados (OGMs). Até o final do ano, os chineses devem assinar o Protocolo de Cartagena sobre Biossegurança - acordo internacional que rege a transferência, manejo e uso de organismos vivos modificados por meio da biotecnologia moderna - já ratificado por mais de 100 países, entre eles o Brasil.
Segundo Dayuan Xue, uma grande parte da população chinesa é contra o consumo de transgênicos e 78 grandes companhias, entre elas a Danone e a Heinz, já se comprometeram a não comercializar alimentos geneticamente modificados naquele país. Mas como a China tem alta densidade populacional, há espaço também para transgênicos. "É uma questão delicada", diz.
Danos ambientais
A maior preocupação da comunidade científica, no entanto, não é quanto aos danos que os OGMs possam causar na população após ingeridos e, sim, que aconteça no país o que se chama de "poluição genética", com perda de biodiversidade, surgimento de ervas daninhas ainda mais resistentes a herbicidas, aumento do uso de agrotóxicos e a perda da fertilidade natural do solo. É o que está acontecendo com o milho, no México. Pesquisas científicas já comprovaram que o pólen de milho transgênico fertilizou o milho nativo.
Nos últimos 15 anos, Dayuan Xue liderou diversas pesquisas sobre o tema para o governo chinês, inclusive estudos sobre os impactos ambientais do algodão transgênico Bt, que gerou pragas super-resistentes e outros efeitos adversos. Hoje, o plantio desta variedade de algodão é autorizado em apenas duas províncias e, desde 1999, o governo não emite novas licenças.
Hoje, no Senado Federal, Dayuan Xue dará um panorama da situação da biossegurança na China, durante debates coordenados pelo senador João Capiberibe (PSB-AP), com a participação do professor Celso Luís Marino, especialista em Genética e Biologia Molecular da Universidade Estadual Paulista (Unesp), e da bióloga Luíza Chomenko, especialista em biodiversidade e gestão ambiental, ambos ligados ao Conselho Federal de Biologia.

GM, 29/06/2004, p. A7

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