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Transgênicos: da polêmica à falta de controle

O Globo, Eco Verde, p. 34
Autor: VIEIRA, Agostinho
09 de Jun de 2011

Transgênicos: da polêmica à falta de controle

Agostinho Vieira oglobo.com.br/blogs/ecoverde

Há pouco mais de oito anos, preocupado, o país acompanhava a polêmica sobre a soja transgênica plantada no Rio Grande do Sul.
O debate envolvia questões de saúde, meio ambiente e até polícia, pois as sementes haviam sido contrabandeadas da Argentina.
Diante do fato consumado, o presidente Lula autorizou a venda da safra. De lá para cá, chegamos ao posto de segundo produtor de transgênicos do mundo. E, ao de campeões absolutos no consumo de agrotóxicos. Com a incrível marca de 5,2 kg por habitante. Só a cultura da soja, no Paraná, usa 46% de todas as substâncias produzidas para o combate de pragas na lavoura
A lei que regula plantio e comercialização do produto foi aprovada em 2005. Mas, até 2008, apenas duas variedades de sementes transgênicas tinham sido liberadas pela Comissão Técnica de Biossegurança (CTNBio). Em três anos, esse número pulou para 28 e mais oito esperam na fila por um sinal verde, quase todas referentes às culturas de soja, milho e algodão.
Em março, cerca de 30 entidades entregaram um documento ao Ministério da Ciência e Tecnologia pedindo uma revisão nesses processos de aprovação. Mas até agora não obtiveram resposta. Em lugar disso, a última reunião da CTNBio reduziu de 90 para 30 dias o rito de tramitação.
Segundo as entidades, numa clara violação do princípio da precaução, adotado no mundo todo para casos como esses.
Há um mês, a Elma Chips anunciou que usará milho transgênico em seus produtos, pois está cada vez mais difícil conseguir milho convencional. Quem exporta para a Europa tem que rastrear e certificar a produção para provar que ela está livre de organismos geneticamente modificados.
Para os defensores, os transgênicos não fazem mal hoje e não farão no futuro. Outros estudos desmentem essa tese. Saúde e meio ambiente estariam ameaçados. Ou seja, uma dúvida suficiente para que este assunto fosse tratado com mais responsabilidade.

O Globo, 09/06/2011, Eco Verde, p. 34

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