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Transgênicos: Brasil testa seguranca

O Globo, Ciência e Vida, p. 39
01 de Mai de 2004

Transgênicos: Brasil testa seguranca
Feijão geneticamente modificado produzido pela Embrapa será avaliado

A Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) inicia na segunda-feira testes de biossegurança com uma variedade de transgênica de feijão. É a primeira vez que se avalia, no país, o impacto ambiental do plantio de alimentos geneticamente modificados.

Numa área de plantio experimental e controlado da Embrapa Arroz e Feijão, em Santo Antônio de Goiás, foram plantados há um mês cerca de 1.500 pés de feijão convencional e transgênico - desenvolvido pela Embrapa e resistente ao vírus do mosaico dourado, doença que costuma atacar esse plantio.

Técnicos da Embrapa vão iniciar na segunda-feira a coleta desse material para análise comparativa em laboratórios da empresa.

- Estamos começando a usar uma nova tecnologia em larga escala (plantio de transgênicos) e existe uma grande preocupação em torno não só da segurança alimentar, mas também do impacto ambiental - justificou a pesquisadora da Embrapa Agrobiologia Norma Rumjanek. - É preciso saber se essa planta pode se tornar uma invasora, se é agressiva ao meio ambiente.

Uma das maneiras de se avaliar isso é verificar se a planta está causando algum impacto sobre os microorganismos e a fauna do solo.

- A planta deve ser resistente ao vírus do mosaico dourado, mas não dever ter nenhum efeito sobre fungos, bactérias, artrópodes e outros organismos do solo - explicou Norma.

Se os testes comprovarem alguma mudança nessas populações, isso pode significar que algo saiu errado na manipulação genética da planta. Serão avaliadas também outras pragas que costumam atacar os feijões, bem como insetos normalmente presentes nessas plantações.

- Se houver alguma alteração numa população que não é alvo da modificação é um indício para verificarmos se houve alguma mudança não prevista - disse a pesquisadora. - A princípio não esperamos encontrar diferenças.

Testes devem estar concluídos em três anos

Também será avaliada a capacidade de fixação de nitrogênio dos plantios transgênicos. Segundo os pesquisadores, uma planta pouco eficiente na fixação desse elemento demanda mais adubo nitrogenado, o que tornaria o cultivo menos atraente economicamente. Os testes de biossegurança devem levar três anos para serem concluídos e serão realizados paralelamente aos de segurança alimentar.

Quando todos os testes terminarem, a documentação será submetida à Comissão Técnica Nacional de Biossegurança (CTNBio), que decidirá se o produto poderá ou não ser comercializado.

O Globo, 01/05/2004, Ciência e Vida, p. 39

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