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Transgênicos ameaçam

JB, Internacional, p. A6
08 de Mar de 2004

Transgênicos ameaçam
EUA já têm 70% das lavouras modificadas

De acordo com um novo relatório, mais de 70% da produção agrícola nos Estados Unidos está contaminada com material geneticamente modificado. O índice reflete o avanço dos transgênicos sobre a agricultura orgânica. O documento - divulgado no mesmo momento em que a Grã-Bretanha está perto de liberar a primeira plantação de milho transgênico - conclui que variedades de sementes tradicionais estão ''comodamente contaminadas'' por DNA geneticamente modificado. A indústria de biotecnologia americana afirmou não estar surpresa com o resultado do relatório.
Sob a orientação da ONG ambientalista Union of Concerned Scientists, dois laboratórios independentes testaram as supostas sementes não transgênicas, que ''representam uma parte significativa do fornecimento tradicional'' para milho, soja e óleo vegetal - as três produções mais modificadas nos EUA.
Os testes descobriram que metade do milho e da soja e 83% do óleo vegetal estavam contaminados com genes trangênicos - apenas oito anos depois que as primeiras sementes modificadas foram cultivadas em larga escala nos Estados Unidos. O nível ainda é relativamente baixo, aproximadamente entre 0.5% a 1%. Apesar disso, o relatório concluiu que ''a contaminação é endêmica para o sistema''.
Graças à isso, fazendeiros nos EUA inconscientemente plantaram bilhões de sementes transgênicas em um ano, espalhando elementos modificados geneticamente por toda agricultura do país.
O documento se tornou público em um péssimo momento para o governo Blair, que tenta superar a resistência da Escócia e do País de Gales ao milho transgênico. A Câmara dos Comuns está atenta ao estudo:
Na última semana, a Secretária de Estado para o Meio-ambiente, Margaret Beckett, afirmou que não pretende autorizar imediatamente a plantação do milho, promovendo apenas um endosso da tecnologia. Ela deixou claro que o governo quer que a indústria de transgênicos compense os fazendeiros cuja produção foi contaminada. Mas isso, segundo o setor, torna o cultivo anticomercial.
O resultado indica o que pode ocorrer em outros países com cultivo liberado. Um deles é o Brasil, que já é o quarto do mundo em área semeada com soja transgênica, segundo o Serviço Internacional para Adquisição de Aplicacões em Agrobiotecnología divulgou no VII Congresso Mundial da Soja, aberto sexta-feira em Foz do Iguaçu (PR). Os EUA têm 63%, seguido por Argentina, com 21%, Canadá, com 6%, Brasil, com 4% (ou 3 milhões de hectares) e China (4%).

JB, 08/03/2004, Internacional, p. A6

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