VOLTAR

Transgênicos

OESP, Fórum dos Leitores, p. A3
Autor: LERAYER, Alda
14 de Mai de 2009

Transgênicos

Ainda sobre o artigo Os transgênicos voltam à pauta (8/5), de Washington Novaes, gostaria de esclarecer algumas informações.
A França não aprovou nenhum rótulo com os dizeres "alimentado sem transgênicos" para produtos animais. Há uma discussão em curso e é improvável uma decisão antes do final de 2009. O estudo citado, que teria sido desenvolvido na Universidade de Buenos Aires, é de autoria do pesquisador Andrés Carrasco e até hoje não foi referendado por nenhuma publicação científica. Sobre ele o ministro da Ciência e Tecnologia da Argentina, Lino Barañao, declarou em rede nacional que os resultados encontrados pelo pesquisador jamais foram julgados por peritos e não passam de sua opinião particular. Quanto a possíveis incertezas da biotecnologia para a agricultura familiar, números do Serviço Internacional de Aquisição de Aplicações em Agrobiotecnologia mostraram que 12,3 milhões de pequenos agricultores em todo o mundo plantaram transgênicos em 2008 e reconheceram seus benefícios, como aumento de renda - gerado pela redução nos custos de manejo da cultura.
No Brasil esse benefício alavancou a produção dos pequenos produtores de algodão de Catuti (MG), onde o agricultor percebeu um aumento de 40% na produtividade da lavoura. Segundo a consultoria em agronegócios Céleres, a área plantada com algodão geneticamente modificado (GM) em Catuti pode atingir 11,8 mil hectares na safra 2008-2009, 47% da área total da cultura no Estado. Minha declaração durante a palestra na Esalq foi posta no artigo de maneira equivocada. Na ocasião, respondia à pergunta de um estudante e explicava que a demora do Ibama em aprovar pesquisas de campo de produtos GM da Embrapa, como feijão e batata, atrasou a liberação dessas variedades destinadas à agricultura familiar.
Ressaltei ainda que analisar possíveis impactos ambientais gerados pelo plantio de sementes transgênicas é uma das exigências feitas pela CTNBio ao avaliar a segurança dos eventos genéticos. Por fim, nunca ocorreu redução da exigência de distância entre as plantações de milho GM e convencional.
A definição de 400 metros sempre teve aplicação para os experimentos de campo de variedades transgênicas do grão, ainda não liberadas para plantio comercial. Para as lavouras transgênicas comercialmente aprovadas a CTNBio definiu na Resolução Normativa 4 a distância mínima de 100 ou 20 metros, desde que acompanhada de uma faixa de 10 fileiras de milho convencional de porte e ciclo semelhante à variedade GM.
Estudos realizados em diversos países comprovam a rigidez dessas normativas estabelecidas pela CTNBio. Estudo conduzido pelo pesquisador Joaquim Messeguer, do Departamento de Genética Vegetal do consórcio CSIC-Irta (www.irta.es), da Espanha, apontou que a distância de 20 metros é suficiente para garantir a coexistência de quaisquer variedades.

Alda Lerayer diretora executiva do Conselho de Informações sobre Biotecnologia (CIB) São Paulo
mel.mansur@edelman.com

OESP, 14/05/2009, Fórum dos Leitores, p. A3

As notícias aqui publicadas são pesquisadas diariamente em diferentes fontes e transcritas tal qual apresentadas em seu canal de origem. O Instituto Socioambiental não se responsabiliza pelas opiniões ou erros publicados nestes textos. Caso você encontre alguma inconsistência nas notícias, por favor, entre em contato diretamente com a fonte.