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Tragédia ambiental ameaça Amazônia

O Globo, Ciência e Vida, p. 49
31 de mar de 2005

Tragédia ambiental ameaça Amazônia

Francisco Leali

Um relatório produzido por mais de 1.300 cientistas de 95 países sobre a situação do meio ambiente no mundo alertou para os riscos de a floresta amazônica ser destruída. O documento advertiu também para os impactos que a exploração descontrolada de recursos naturais pode causar sobre a saúde humana.
"As mudanças climáticas podem colocar certos sistemas naturais em seu ponto limite. Alguns modelos de estudo sugerem que o aquecimento global tornaria a Amazônia um cerrado seco em poucas décadas, com efeitos devastadores, como uma maior instabilidade do clima regional e global", disse o texto.
- O relatório mostra que se o governo não olhar para os limites dos serviços naturais que são desperdiçados eles vão desaparecer - destacou o presidente do Conselho Empresarial Brasileiro para o Desenvolvimento Sustentável, Fernando Almeida, que participou do estudo.
O documento Avaliação do Ecossistema do Milênio fez ainda outras citações diretas ao Brasil, incluído entre os países onde o ritmo de crescimento vai gerar mais pressão sobre o meio ambiente. "As mudanças estão se estendendo rapidamente para além dos países ricos, para países em rápido crescimento como a China, Índia e Brasil, onde um número cada vez maior de cidadãos aspira a posses que vão além das necessidades básicas da vida", diz o relatório apresentado oficialmente anteontem.
- O documento serve de alerta. Quando nosso governo propõe acelerar o desenvolvimento é fundamental que a questão ambiental seja valorizada - disse o presidente do Ibama, Marcos Barros.
Ele lembrou que um dos melhores exemplos do que a degradação ambiental pode fazer com o ser humano é a construção da ferrovia Madeira-Mamoré, em Rondônia, e que foi tema de livro e também seriado na TV Globo.
- Como dizia Oswaldo Cruz: para cada dormente da ferrovia, um homem morto por malária. Esse é um exemplo da resposta que a natureza dá ao agressor do meio ambiente - afirmou Barros.
O documento também lembrou que a Mata Atlântica vem sendo destruída há séculos, desde a época em que os colonizadores europeus exploravam o pau-brasil. "A demanda por artigos supérfluos em alguma parte do mundo sempre acarretou impactos em sistemas naturais distantes milhares de quilômetros - por exemplo, o uso do açúcar na Europa e da tintura têxtil vermelha obtida do pau-brasil provocou mudanças irreversíveis na Mata Atlântica na América do Sul."

O Globo, 31/03/2005, Ciência e Vida, p. 49

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