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Tradings não querem se responsabilizar

A Gazeta, Economia
26 de Jul de 2006

Tradings não querem se responsabilizar

Juliana Scardua
Da Redação

Tradings afirmam que abrirão o canal de conversação com os produtores rurais sobre o passivo ambiental na Amazônia Legal, mas se eximem da responsabilidade sobre os desmatamentos na região. O posicionamento foi anunciado ontem pelo presidente do grupo Amaggi, Pedro Jacyr Bongiolo, após o decreto de moratória à soja plantada em novas áreas do bioma amazônica a partir da safra 2006/2007. O executivo declara que antes da figura das tradings, bancos oficiais, privados e o próprio governo federal precisam ser cobrados.
"O que sempre se esquece é que existem órgãos oficiais e indústrias multinacionais que financiam máquinas e equipamentos. As tradings não tem culpa nenhuma. Cabe ao governo fiscalizar a abertura de áreas irregularmente". Ele afirma que os agricultores serão convocados para uma rodada de debates com organismos ambientais e governo nas próximas semanas.
Mas para o coordenador de Política e Direito do Instituto Socioambiental (ISA), André Lima, a medida restritiva também deve ser encarada como um "atestado de co-responsabilidade no passivo ambiental" da região. "Esse processo terá que ser negociado. É louvável que a partir de agora as coisas sejam diferentes, mas o que já foi revertido em passivo terá que ser discutido. Em Mato Grosso as trandigs e bancos privados são responsáveis por praticamente 50% do financiamento de custeio da safra.
O acordo foi articulado entre o Greenpeace e a Amaggi e também envolve as multinacionais de Cargill, ADM, Bunge e Dreyfus. A moratória vale por 2 anos sobre a soja proveniente de novos desmatamentos no bioma Amazônia. "O Greenpeace reconhece que este é um passo importante, mas são as ações e não as palavras que poderão garantir um futuro justo e sustentável para a Amazônia", manifesta a ONG em nota.
O presidente da Associação de Produtores de Soja (Aprosoja), Rui Ottoni Prado, foi procurado para repercutir o assunto mas não foi localizado. Em nota divulgada à imprensa a entidade comunica que repudia o desmatamento ilegal "tanto da Amazônia quanto do Cerrado" e que os associados respeitam a legislação ambiental vigente. "O setor reitera sua disposição em contribuir com a preservação do meio ambiente e com a dignidade nas relações de trabalho no Brasil e no mundo".

A Gazeta, 26/07/2006, Economia

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