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Tombamento da APA de Marapendi já está no centro de uma polêmica

O Globo, Rio, p.19
02 de Nov de 2005

Tombamento da APA de Marapendi já está no centro de uma polêmica
Vereador critica projeto que atinge áreas construídas e impede eco-resorts

Para uns, foi mais um ato impositivo e precipitado do poder legislativo. Para outros, a votação em caráter de urgência e a aprovação unânime do projeto de lei que determina o tombamento da Área de Proteção Ambiental (APA) de Marapendi, entre a Barra da Tijuca e o Recreio dos Bandeirantes, é a única solução para salvar o que resta da vegetação de restinga na região. Devido ao feriado prolongado, o projeto só será encaminhado para a sanção da governadora Rosinha Garotinho, na próxima semana.
Segundo o vereador Luiz Antônio Guaraná (PSDB), presidente da Comissão de Assuntos Urbanos da Câmara de Vereadores, a iniciativa do deputado Paulo Ramos (PDT) - autor do projeto de lei - de preservação daquela área verde é louvável, mas deveria excluir as áreas edificadas, como os condomínios, e projetos já aprovados.
- A intenção era boa. Mas o projeto engloba indistintamente prédios, postos de gasolina e lojas. Com o tombamento, os prédios ficarão impedidos até mesmo de construir uma churrasqueira. O projeto está caindo no mesmo erro da lei que permitiu a construção dos eco-resorts. Os parâmetros para o tombamento não foram discutidos - disse Guaraná.
O deputado Paulo Ramos se defende, afirmando que o tombamento de toda a APA é o único caminho para se enfrentar a especulação imobiliária. Na semana que vem, ele vai marcar uma audiência pública e espera que, com a mobilização de ambientalistas, consiga sensibilizar a governadora a sancionar o projeto.
- A Barra da Tijuca tem outras áreas onde eco-resorts podem ser construídos. Não precisa ser na APA - rebateu Ramos, que vai propor o tombamento de outras APAs no estado.

PRÉDIOS PODERÃO SER PROIBIDOS
Prédios poderão ser proibidos de construir
Síndica de condomínios onde vivem 264 famílias acha medida controversa
O projeto de tombamento da APA de Marapendi também tem dividido a opinião de moradores e empreendedores. Quem já desfruta do privilégio de viver na área preservada se mostra totalmente favorável à medida, como é o caso de Elisa Da Poian, do Condomínio Mundo Novo. Há 32 anos na Barra, ela diz que é preciso proteger o que restou da vegetação a qualquer custo:
- Aqui ainda existem espécies da vegetação original. Isso tem de ser preservado. Quem mora na Barra procura essa riqueza. Se não for preservado, o bairro vai virar uma Copacabana.
Síndica do Alfapark e da área externa do Alfabarra, Linda Dias Pereira, diz que o tombamento é controverso. Como representante de 264 condôminos, ela diz que é contra o projeto que impede novas construções na área dos prédios. Mas, como moradora, é favorável ao tombamento.
- O meio ambiente agradece. Mas ao mesmo tempo a Barra precisa progredir - ponderou Linda.
Para empresários, hotéis atrairiam investimentos
Dono há 25 anos de um dos terrenos onde seria construído um dos eco-resorts, o empresário José Leão diz que o tombamento é inoportuno e fora de questão:
- Os resorts são investimentos sérios, que só vingam em ambientes limpos e preservados. Não podemos deixar que a Barra fique como a APA de Massambaba (na Região dos Lagos), favelizada.
Presidente da Câmara Comunitária da Barra, Delair Dumbrowski, afirma que a APA foi invadida seis vezes. Ele acredita que a construção dos hotéis como os eco-resorts protegeria o local e ainda traria investimentos e desenvolvimento.
Para o presidente da Associação Brasileira da Indústria de Hotéis), Alfredo Lopes, o tombamento vai impedir a recuperação de áreas degradadas.
- Ambiente preservado é mais uma atração turística.

O Globo, 02/11/2005, Rio, p. 19

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