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Tijuco Alto reformula projeto

OESP, Economia, p. B8
02 de mar de 2005

Tijuco Alto reformula projeto
Após 17 anos, estudo de impacto ambiental da hidrelétrica da CBA é refeito para passar pelo Ibama

Renée Pereira

Afundado em problemas ambientais por 17 anos, o projeto da Hidrelétrica Tijuco Alto, no Vale do Ribeira, entre São Paulo e Paraná, enfim, promete sair do papel. Para isso, um novo estudo de viabilidade ambiental da usina será apresentado ao Instituto Brasileiro de Meio Ambiente (Ibama) até o final deste semestre. Além disso, diversas mudanças foram feitas no projeto original para reduzir o impacto da obra na região.
Os estudos foram retomados no ano passado, depois que a Companhia Brasileira de Alumínio, do Grupo Votorantim, dona da concessão, contratou a CNEC Engenharia para reformular o projeto. Entre as alterações incluídas no novo estudo está a mudança de lugar da casa de força, que ficará mais próxima da barragem.
O trabalho anterior previa a construção de um túnel de 2.200 metros de comprimento para levar a água do reservatório até a casa de força, próximo à Adrianópolis, no Paraná. "Essa obra reduziria a vazão do rio, prejudicaria a produção dos peixes e comprometeria a qualidade da água da região", argumenta o engenheiro da CNEC, Ronaldo Luis Crusco, responsável pelo estudo.
Além disso, diz ele, o novo projeto elimina o chamado descarregador de fundos, usado para limpar o reservatório. Apesar de aumentar a vida útil da represa, esse dispositivo, que permite a saída de água pela parte inferior da barragem, acaba piorando a qualidade da água. Crusco destaca ainda que mudou a tomada de água da cota 265 para 285. Assim, a água que é liberada do reservatório sai mais limpa e não compromete o abastecimento das populações que vivem abaixo da represa.
Quando concluída, a usina terá capacidade para produzir 144 megawatts (MW) de energia - suficiente para abastecer uma cidade de 100 mil habitantes. A expectativa é que o reservatório atinja 56 quilômetros quadrados (5.600 quarteirões) nos municípios de Ribeira e Itapirapuã, em São Paulo, e Adrianópolis, Cerro Azul e Doutor Ulisses, no Paraná.
Apesar dos entraves ambientais e das incertezas em relação ao início das obras nos últimos anos, a empresa já tem quase todos os equipamentos e parte da terra necessária para o empreendimento comprados. A hidrelétrica já consumiu investimentos da ordem de R$ 50 milhões em 17 anos.
IMPACTOS
Os ambientalistas, no entanto, temem que a usina inunde cavernas e contamine a água pelas antigas minas de exploração de chumbo. Outra reclamação é que a autorização de uma hidrelétrica, no Rio Ribeira, desencadeará a construção de outras no mesmo rio, causando impactos irreparáveis para o meio ambiente.
"Trata-se de uma área que contém sítios arqueológicos, quilombos e Mata Atlântica", argumenta a coordenadora jurídica da Fundação SOS Mata Atlântica, Elci Camargo. "Além disso, o represamento da água poderá elevar o teor de metais pesados e prejudicar a biodiversidade da região."
Segundo os ambientalistas, o Rio Ribeira é o único sem barramentos em São Paulo e tem sua foz no complexo estuarino Iguape Cananéia, que é considerada uma das 5 regiões lagunares mais ricas em biodiversidade do planeta, pela União Mundial de Conservação da Natureza.
Crusco, do Cnec, no entanto, rebate as críticas e diz que não há risco de contaminação de chumbo, já que a represa não pegará as antigas áreas de mineração. Em relação às cavernas, ele esclarece que apenas duas pequenas cavidades serão atingidas.

OESP, 02/03/2005, Economia, p. B8

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