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Térmicas temem ficar sem óleo em Manaus

Valor Econômico, Empresas, p. B3
31 de Jul de 2014

Térmicas temem ficar sem óleo em Manaus
BR Distribuidora informa que vai suspender fornecimento do combustível se não receber pagamento

Claudia Facchini e Rodrigo Polito
De São Paulo e do Rio

Algumas térmicas, responsáveis por cerca de 30% da energia consumida em Manaus, correm o risco de ficar sem óleo combustível a partir de sexta-feira. A BR Distribuidora, braço da Petrobras, informou para seis usinas independentes que operam na região que elas terão de pagar à vista pelo combustível a partir do dia 01 de agosto, caso contrário vai suspender o fornecimento.
Procurada pelo Valor PRO, serviço em tempo real do Valor, a Petrobras respondeu que "não comenta questões de natureza comercial na relação com seus clientes, protegida por sigilo do negócio."
A aquisição do óleo combustível para as termelétricas de Manaus teria de ser pago com recursos provenientes da Conta de Consumo Combustível em sistemas isolados (CCC-ISOL), um subsídio bancado pelo Tesouro Nacional.
No entanto, fontes afirmam que os repasses da CCC-ISOL não estão sendo feitos com a frequência necessária para a BR Distribuidora, o que levou as térmicas a ficarem inadimplentes com a distribuidora. Como o problema já se arrasta há algum tempo, a dívida cresceu de forma significativa, deixando a petrolífera em uma situação delicada. A BR teria dado um prazo até hoje para que as usinas quitassem os valores vencidos.
A situação é preocupante e, se o impasse persistir, poderá comprometer parte do abastecimento de energia elétrica para a capital amazonense, diz uma fonte que não quis ser identificada.
Apesar de haver um grande potencial hídrico no Amazonas, 90% da energia consumida em Manaus ainda é fornecida por usinas térmicas. A hidrelétrica Balbina, no rio Uatumã, é a única que atende a capital, mas consegue suprir cerca de 10% a 15% da demanda apenas.
O Amazonas é um dos poucos mercados no país que ainda não estão totalmente interligados à rede elétrica nacional (SIN), sendo abastecidos por sistemas elétricos isolados (ISOL).
De acordo com informações contidas no site da Amazonas Energia, subsidiária da Eletrobras, o parque gerador próprio do Sistema Manaus é composto pelas usinas térmicas de Aparecida (172,0 MW), Mauá (436,5 MW), Cidade Nova (15,4 MW), São José (36,4 MW), e Flores (69,0 MW), além da hidrelétrica de Balbina (250,0 MW). Essa geração é complementada por uma usina flutuante, a Electron, de 120 MW, o que resulta em uma potência de 1.099 MW.
Para completar a demanda, é necessária a compra de eletricidade dos produtores independentes de energia (PIEs). A energia é fornecida pelas térmicas Breitener Tambaqui (60 MW), Breitener Jaraqui (60 MW), Manauara (60 MW), Rio Amazonas (65 MW) e GERA (60 MW), totalizando 305 MW.
No passado, a Eletrobras Amazonas e a Petrobras já travaram uma batalha nos tribunais em torno do ressarcimento da CCC, que envolvia cifras, na época, em torno de R$ 2 bilhões. Em 2012, a Justiça decidiu em favor da Eletrobras, que reivindicava o direito de ser integralmente reembolsada pelos custos com a aquisição do óleo diesel para abastecer as termelétricas em regiões isoladas na região Norte.
Há um ano apenas, Manaus foi interligada ao sistema nacional, quando foram conectados à rede básica, além da capital do Amazonas, os municípios de Presidente Figueiredo, Iranduba, Manacapuru e Rio Preto da Eva.

Valor Econômico, 31/07/2014, Empresas, p. B3

http://www.valor.com.br/empresas/3633140/termicas-temem-ficar-sem-oleo-…

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