O Globo, O País, p. 18
27 de Mar de 2010
Temporão critica trabalho da Funasa
Atendimento a índios, que era responsabilidade do órgão, é condenado por ministro em ofício a Lula
Evandro Éboli
No dia em que o governo publicou medida provisória no Diário Oficial, criando a Secretaria de Saúde Indígena - entre outras razões, por denúncias de que a Fundação Nacional de Saúde (Funasa) não foi eficiente na prestação desse serviço - o presidente do órgão, Danilo Forte, se despedia do cargo em grande estilo. Anteontem, Forte festejou sua saída da Funasa, enaltecendo sua gestão, encerrada para que possa ser candidato a deputado federal pelo PMDB. Ele ainda lançou o livro "Uma gestão de transparência e muitas conquistas", sobre sua passagem pelo órgão.
Com muitos políticos presentes ao evento, houve até a leitura de uma carta enviada pelo presidente da Câmara, Michel Temer, um de seus padrinhos políticos. Temer o parabeniza "pelo comando eficiente à frente da Funasa". A máquina da fundação foi utilizada para divulgar toda a festa, em textos informativos com títulos: "Parlamentares elogiam gestão de Danilo como presidente da Funasa" e "Servidores mostram satisfação com entrega da sede".
No outro extremo, o ministro da Saúde, José Gomes Temporão, enviou exposição de motivos a Lula em defesa da criação da secretaria. O documento faz um diagnóstico da saúde indígena diverso da publicidade feita por Forte. Temporão lista problemas como altas prevalências de doenças como malária, tuberculose e leishmaniose, além de aumento da incidência de diabetes, hipertensão, cardiopatias e alguns tipos de câncer, como o do colo do útero, entre os índios.
"Essas doenças, frequentes na sociedade moderna, representam grave risco para as populações indígenas, devido à vulnerabilidade desses povos, considerando seu modo tradicional de vida", diz Temporão no texto.
Relato pessimista sobre saúde indígena
O custo da criação da Secretaria Especial de Saúde Indígena, na proposta original de um projeto de lei do Ministério da Saúde enviada ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva, no final de 2009, era de R$ 277,1 milhões. Temporão pretendia criar o pagamento de um incentivo e uma gratificação para os servidores de sua pasta que atuam nas terras indígenas.
A exposição de motivos encaminhada a Lula, assinada por Temporão e pelo ministro do Planejamento, Paulo Bernardo, tem 42 tópicos e faz uma radiografia pessimista da saúde indígena no país. O documento diz que, das 3.751 aldeias, situadas em 432 municípios, 1.564 conta com abastecimento de água; esse número considerado "aquém" das necessidades.
O Globo, 27/03/2010, O País, p. 18
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