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21 de Set de 2012
Quinze milhões de filhotes protegidos. Esta é a marca que o Centro Nacional de Pesquisa e Conservação de Tartarugas Marinhas (Tamar), vinculado ao Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), quer bater na 32ª temporada reprodutiva de tartarugas marinhas (2012/2013) sob sua coordenação e que tem início no mês de setembro.
Segundo o coordenador nacional do Tamar, Guy Marcovaldi, espera-se alcançar esta marca, nessa temporada 2012/2013, desde que se mantenham as médias anuais dos últimos períodos reprodutivos, que tem ficado em torno de um milhão de tartarugas.
Até março de 2013, as fêmeas de quatro das cinco espécies que ocorrem no Brasil retornam às praias em que nasceram para depositar seus ovos. A tartaruga verde (Chelonia mydas) é uma exceção por se reproduzir entre os meses de dezembro a julho, nas ilhas oceânicas.
Técnicos nas bases do Tamar em áreas de desovas no litoral da Bahia, Sergipe, Rio Grande do Norte, Espírito Santo e Rio de Janeiro já estão a postos para intensificar o trabalho nas praias e no mar. Outras bases, como as do Ceará, São Paulo e Santa Catarina, ficam em áreas de alimentação, passagem e descanso das tartarugas marinhas.
Matriz de ameaças
Até o final do ano fica pronta a matriz das principais ameaças às tartarugas marinhas que está sendo elaborada pelo Tamar/ICMBio. De acordo com a coordenadora técnica nacional do Tamar, Neca Marcovaldi, esse trabalho é de extrema importância, levando-se em conta as dimensões quase continentais do litoral e a distribuição das espécies ao longo de toda a sua extensão.
"Com recursos limitados e diante da grande extensão do litoral brasileiro, é preciso concentrar esforços identificando quais ameaças matam as diferentes espécies de tartaruga, levando-se em conta as diversas fases da vida desses animais", afirma a oceanógrafa.
O maior desafio, após 30 anos de trabalho é utilizar o conhecimento acumulado para priorizar ações capazes de otimizar os resultados de recuperação das populações das cinco espécies de tartarugas marinhas que ocorrem no Brasil: a tartaruga Verde ou Aruanã (Chelonia mydas); a Cabeçuda ou Mestiça (Caretta caretta); a de Couro ou gigante (Dermochelys coriacea); a de Pente ou legítima (Eretmochelys imbricata) e a Oliva (Lepidochelys olivacea).
Trabalho redobrado
O momento é de muito trabalho, principalmente para as equipes de campo que vão realizar diversas tarefas, além de monitorar e cuidar dos ninhos, até que os filhotes possam alcançar o mar em segurança.
Há muita gente envolvida, incluindo cerca de 60 estagiários e trainees, que estão chegando para fortalecer as equipes das bases e para realizar ou acompanhar, junto com 100 pescadores-tartarugueiros e agentes locais, o monitoramento diurno e noturno das praias. O primeiro contato são as palestras e oficinas do Programa de Capacitação de Estagiários e Trainees.
Durante o dia, o trabalho é localizar e marcar os ninhos in situ (no local original de postura pela fêmea). Quando necessário, pela ameaça humana ou da natureza, as desovas são transferidas para locais seguros (outros trechos de praia ou cercados de incubação situados nas bases do Tamar). Graças ao trabalho de sensibilização, educação ambiental e de inclusão social junto às comunidades locais e turistas, cerca de 70% dos ninhos permanecem em seu local original.
O monitoramento noturno serve principalmente para flagrar as fêmeas em processo de desova, medir e inserir marcas nas nadadeiras dianteiras, com numeração única para identificar aquele indivíduo daí em diante. Também se coleta um pequeno pedaço de pele de alguns animais, para estudos genéticos. Após o nascimento, os ninhos são escavados para coleta e análise de dados relativos a tempo de incubação, taxa de eclosão e espécie, dentre outros.
Todas as informações obtidas nas atividades de campo são armazenadas em planilhas específicas e inseridas no Sistema de Informações sobre Tartarugas Marinhas (Sitamar). Esses dados ficam disponíveis para estudos em desenvolvimento, publicações científicas periódicas, atualização do estado de conservação destas espécies e comprovação da eficácia dos métodos e estratégias de manejo e conservação utilizados. Os indicadores de eficiência, desenvolvidos e implementados com êxito em temporadas reprodutivas anteriores, são atualizados e continuam em uso pelas bases.
Novos estudos
Além de iniciar novos estudos, nesta temporada reprodutiva 2012/2013 o Tamar vai prosseguir com outras linhas de pesquisa em andamento, de modo a ampliar o conhecimento acumulado. Entre as pesquisas estão:
- Mudanças climáticas, Cabeçudas na Praia do Forte, Hibridismo entre três espécies e Rastreamento de filhotes. Saiba mais. (link: http://tamar.org.br/interna.php?cod=371)
- Campanhas permanentes de sensibilização e educação ambiental. As campanhas seguem informando usuários de praias, moradores, empresários, pescadores e turistas sobre a importância da colaboração de todos para que as tartarugas possam dar continuidade ao seu ciclo de vida. São exemplos: 'Nossa Praia É a Vida' e 'Nem Tudo que Cai na Rede É Peixe'. Saiba mais. (link: http://tamar.org.br/interna.php?cod=372)
http://www.icmbio.gov.br/portal/comunicacao/noticias/3349-temporada-rep…
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